A CIDADE DAS LOMBADAS

Por Marcos Bonilla, jornalista responsável

Ah, essas lombadas!

Elas brotam em Taquaritinga como flores no asfalto, daquelas que sacodem a espinha de quem passa desavisado. Em tempos onde o critério técnico deveria reger o planejamento urbano, parece que por aqui quem decide onde vai uma ondulação não é o engenheiro de tráfego, e sim o eleitor. O pedido do eleitor que vira indicação de vereador.

É como se cada lombada fosse um troféu: “Aqui tem influência!” ou “Aqui mora alguém que conhece alguém!”. Não que a ideia de reduzir a velocidade seja ruim, claro que não. O problema é quando o redutor vira multiplicador, de sustos e de amortecedor danificado.

A legislação, coitada, até tenta orientar, mas Taquaritinga tem seus próprios métodos: o clamor popular substitui a prancheta, e o asfalto vira palco de improvisos.

A Paulo Scandar está virando um festival de solavancos. Lombada a cada esquina. É compreensível o cuidado com a segurança dos garçons, que correm de um lado pro outro no canteiro central. Mas será mesmo que a solução é transformar a avenida em um tobogã urbano?

Fica a pergunta: até quando vamos fingir que “pedir e colocar” é planejamento? Administrar, afinal, é também dizer não. Mesmo que doa politicamente, mesmo que o pedido venha com cara de urgência.

Enquanto isso, seguimos pulando. Literalmente. Porque em Taquaritinga, dirigir é um exercício de paciência e amortecedor. E lombada, já virou paisagem.