Entremeios

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A COSTUREIRA DO ÚLTIMO FIO

Dona Cecília tinha uma máquina de costura velha e uma frase que repetia entre um ponto e outro: dias melhores virão. Dizia sem pressa, como quem confere se a agulha ainda está no lugar. Mas houve uma terça-feira em que a frase não saiu. Cecília sentou diante da máquina, olhou a pilha de roupas por… … u003cstrongu003eVer mais.u003c/strongu003e
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PELA ORDEM, EXCELÊNCIA:

Peço a palavra. E o faço com a urgência de quem observa o plenário da nossa democracia ser invadido por uma turbulência sem precedentes neste segundo turno. Quando o advogado invoca o “pela ordem”, ele se levanta para contestar um fato, refutar um depoimento manipulado, escrutinar narrativas e exigir clareza diante do que se tenta… … u003cstrongu003eVer mais.u003c/strongu003e
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A PESSOA QUE AINDA NÃO CONHEÇO

Outro dia, pensei em quantas pessoas moram dentro de uma só pessoa Existe a criança que fui, com medos, desejo de descobertas e aquela crença inocente de pensar que o mundo cabia inteiro numa tarde de brincadeira. Existe a jovem que queria tantas coisas, a mulher que precisou aprender outras e aquela que hoje olha… … u003cstrongu003eVer mais.u003c/strongu003e
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ANTES DAS ASAS

A lagarta rasteja. Ela ainda não conhece o céu, não sente o vento embalando o ar, não sabe a distância exata que um dia poderá alcançar. Conhece apenas o pó da terra, a consistência da folha, a aspereza da casca. É no chão que vive, que se alimenta da própria urgência, que atravessa obstáculos de… … u003cstrongu003eVer mais.u003c/strongu003e
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O HOMEM, ESSA CONTRADIÇÃO

Em alguns momentos, vejo o homem como uma criação admirável, capaz de feitos extraordinários. Em outros, porém, ele me parece um enigma intraduzível. Basta olhar para a imensidão daquilo que suas mãos podem realizar. Um projeto nasce sobre a folha branca, feito de linhas, medidas e cálculos. Depois ganha corpo, ocupa o espaço, desafia a… … u003cstrongu003eVer mais.u003c/strongu003e
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AS MÃES QUE A INFÂNCIA ME DEU

Quando pequenos, não sabemos dar nome às coisas. Apenas sentimos. Eu era menina quando aprendi, sem compreender muito bem, que a vida podia ser grande demais para uma mãe só. Nessa época, meu pai havia saído de casa e, com ele, ficara uma ausência que minha mãe precisou preencher de todas as maneiras possíveis. Trabalhava… … u003cstrongu003eVer mais.u003c/strongu003e
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O CHÃO QUE CLAMA POR UM BEIJO

Taquaritinga é uma daquelas cidades que, secretamente, possuem um pacto com os ponteiros dos relógios, operando numa frequência onde o tempo é lento, boceja e se espreguiça. Enquanto o resto do planeta se desdobra em fuso horários complexos e reuniões de negócios em arranha-céus espelhados, aqui as esquinas permanecem fiéis a uma liturgia própria, tal… … u003cstrongu003eVer mais.u003c/strongu003e
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NAS CALÇADAS DO TEMPO

Quando a notícia chegou já se fazia noite e, antes que a razão pudesse contê-la, fez morada no fundo da minh’alma, movendo o que parecia adormecido. Me recordar de dona “Claudete” foi como abrir uma fresta no tempo, no cheiro de infância e, com eles, o burburinho de crianças a caminho da escola. Naquele tempo… … u003cstrongu003eVer mais.u003c/strongu003e
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FAMÍLIA: ENTRE O “NÓS” E “ELES”

Era uma comemoração em família. À primeira vista, parecia uma daquelas festas que reúnem todos em torno da mesma mesa, da mesma história e da mesma celebração. No entanto, bastou observar por algum tempo para perceber algo interessante: mesmo dentro de uma família, as pessoas tendem a se dividir em pequenos grupos, que se formam… … u003cstrongu003eVer mais.u003c/strongu003e
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Meu cotidiano sob quedas de energia: uma rotina de espera e adaptação

Moro no bairro Laranjeiras I e, por aqui, os episódios de queda de energia estão se tornando cada vez mais frequentes. Curiosamente, não é necessário que haja tempestade, ventania, raios ou sequer uma nuvem no céu para que isso aconteça. O tempo está limpo, o céu aberto, e mesmo assim, a energia simplesmente vai embora.… … u003cstrongu003eVer mais.u003c/strongu003e
