TÉCNICOS DE ENFERMAGEM PROIBIDOS DE AGIR
LINHAS DE FRENTE QUE UMA RESOLUÇÃO QUER APAGAR
Por Marcos Bonilla, jornalista responsável
Não foi durante uma parada cardiorrespiratória, nem diante de um quadro de sufocamento agudo. Foi no silêncio rotineiro de mais um leito, onde um paciente idoso, debilitado, precisava apenas de uma aspiração. Que, agora, os técnicos de enfermagem não podem mais fazer — a não ser que se torne emergência.
Segundo resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), o procedimento de aspiração traqueal só pode ser realizado por enfermeiros em situações de rotina. Os técnicos, que há anos executam essa prática com competência, ficaram proibidos. Emergência, tudo bem. Mas e o cuidado preventivo?
E é aí que está o problema.

A realidade dos hospitais, clínicas e instituições de longa permanência é bem diferente do que está nos papéis. Faltam enfermeiros. Muitos serviços contam com apenas um profissional de nível superior por turno. Enquanto isso, os técnicos, presentes em todos os setores, estão impedidos de agir preventivamente.
O resultado? A secreção se acumula. O paciente sofre. A infecção chega. O que antes seria resolvido com um procedimento rápido, agora vira risco real à vida. A emergência, que poderia ter sido evitada, se concretiza.
É como se disséssemos: “Espere piorar para poder cuidar.”
O que era cuidado virou espera. O que era prevenção virou burocracia. E nesse vaivém de regras, quem sofre é sempre o mesmo: o paciente, que precisa respirar, mas, antes de tudo, precisa ser visto.
