VANDERLEI: UMA AUSÊNCIA PRESENTE EM CADA ESQUINA
Parece mentira.
Já faz quase um mês que Vanderlei se foi. Um mês em que a cidade acorda e dorme com um vazio que não se preenche. Ele não volta mais. E o pior: o que o levou não foi o tempo, não foi uma doença. Foi a crueldade. A mais absurda e inconcebível violência.
Vanderlei foi morto. Assassinado. Brutalmente. E Taquaritinga, pequena no tamanho, mas gigante na dor, ainda busca entender o porquê.
Um homem de fala mansa, firme nas convicções, apaixonado pela cidade como um filho que não abandona a mãe. Um homem de família, daqueles que colocam os seus acima de tudo. Um político que – com erros, acertos e teimosias – nunca deixou de querer o melhor para sua comunidade.
A polícia trabalha — e trabalha bem. Mas ainda não sabemos tudo. Um menor foi apreendido. Diz que estava lá, mas silencia sobre os outros. Há suspeitas. Hipóteses. Mas nenhuma resposta definitiva. Precisamos da verdade, mesmo que doa, mesmo que escancare uma realidade que preferíamos não conhecer.
Não se trata apenas de justiça, que já seria o bastante. Trata-se de memória, de dignidade, de paz para a família. A família Mársico merece saber quem tirou Vanderlei deles. Merecem nome, rosto e motivo.
A cidade não vai esquecer. Não pode. Não deve. Vanderlei foi mais que um nome nos jornais. Foi presença. Foi voz. Foi ação. Que sua morte não seja apenas uma estatística ou um caso arquivado. Que não caia na vala rasa do esquecimento.
Porque parece mentira
(Marcos Bonilla – jornalista responsável)
