VOCÊ SERIA ATENDIDO POR VOCÊ MESMO?
Todo Mundo Reclama, Ninguém Ensina
Em Taquaritinga, a gente já se acostumou com a frase “foi do jeito que deu”. É o garçom que traz o pedido errado. A balconista que mal levanta os olhos para o cliente. O atendente que mais parece estar fazendo um favor do que um trabalho. A gente reclama, respira fundo, engole seco e volta na semana seguinte. É o que temos.

Porque, no fundo, sabemos que a culpa não é de quem atende — é de quem nunca ensinou. Falta preparo, falta escola, falta curso. Falta o tal do “Sistema S”: SENAI, SENAC, SESC. Onde tem isso, tem atendimento de excelência. O padeiro sabe o que faz, a cozinheira sabe por que faz. O garçom entende que servir é uma arte. O cliente volta, o caixa enche, o comércio cresce.
Mas aqui não. Aqui, quem trabalha aprende sozinho. Vai no instinto. Faz o que pode. E nós, os clientes vamos colecionando pequenas frustrações. Qualificar gente é política que dá certo, é investimento que volta.
O problema não é o mau humor da moça da loja. É que ninguém nunca explicou a ela que atender bem é um diferencial. Não com teoria, mas com ensino de verdade. Com aula, com prática, com diploma no fim.
O caminho existe: cursos gratuitos, oficinas, parcerias. Um plano. Uma política pública. Uma decisão de governo; uma decisão que pode mudar o curso da cidade.
A gente não pode mais viver do “foi do jeito que deu”. Porque do jeito que dá, não dá mais.
E talvez, tudo que a cidade precise para começar a mudar seja isso: ensinar o caminho certo, e deixar o improviso apenas para os músicos.
Marcos Bonilla – diretor/editor chefe e jornalista responsável

