A OPÇÃO DA DEFESA NUCLEAR

Por Luís José Bassoli

O físico brasileiro Ricardo Guedes, Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago, é pacifista, mas se junta aos que passaram a refletir sobre como os países possam se defender, diante das ameaças globais.

Guedes faz a observação: “Já notaram que ninguém mexe com quem tem a bomba atômica?”. A pergunta nos leva à reflexão: armas nucleares são instrumentos de “dissuasão”, ou seja, não há intenção de usá-las para atacar e sim para desestimular agressores – só foram usadas em Hiroxima e Nagasaki, na 2.ª Guerra, pelos EUA, para forçar o Japão a se render.

A União Soviética obteve sua bomba em 1949, seguida de Reino Unido (1952), França (1960) e China (1964), daí, a ONU “proibiu” outros países de se armarem, porém, a Índia obteve a sua em 1974, para dissuadir o arqui-inimigo Paquistão, que fez o mesmo em 1998, a Coreia do Norte em 2008, e Israel (que não fez explosão-teste, mas impede qualquer vistoria da ONU), que teria adquirido nos anos 1960.

Os casos de Israel e Coreia do Norte são enigmáticos, ambos devem suas existências ao fato de possuírem arsenal atômico. Israel repeliu os exércitos de Egito e Síria, na Guerra de Yon Kippur (1973), quando armou seus aviões com bombas atômicas e os colocou no ar; a Coreia do Norte compunha o “Eixo do Mal”, criado pelo presidente dos EUA, George W. Bush, junto com Iraque, que foi invadido em 2003 e 2014, e Irã, que acabou de ser bombardeado – a Coreia do Norte não foi invadida e sim visitada por Trump, em 2019.

O americano Ted Postol, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e ex-conselheiro do Pentágono, argumenta que o Irã, após ser atacado por Israel e EUA, já deve ser um “Estado nuclear não declarado”, pois possui tecnologia para construir bombas atômicas.

Cerca de mais 20 países detêm tecnologia para construir armas nucleares, entre eles Brasil, Argentina, África do Sul, Alemanha e Austrália, mas não o fazem por terem assinado o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). O professor Ricardo Guedes não defende que o Brasil tenha a bomba, mas propõe que “reveja a política de sobrevivência” e faz a provocação: “No futuro, teremos países donos, e países escravos”.

Trata-se de uma decisão difícil: se o Brasil se equipar com armas nucleares, certamente a Argentina fará o mesmo, a França poderá instalar seus mísseis na Guiana Francesa, depois, quiçá, a Venezuela se sinta ameaçada – e sabe-se lá aonde isso iria parar!

(Com: Blog do Noblat e Glenn Diesen).