Quando a Prefeitura Diz que Está “Falida”: Verdade ou Drama?
Por Ana Lúcia Santaella Aiello – advogada e pedagoga
Entre cafés e queixas de calçada, volta e meia alguém solta: “A prefeitura tá falida!”.
Mas calma lá, prefeitura não é empresa pra decretar falência e baixar as portas.
O termo é mais drama que decreto: quer dizer que as contas apertaram, o planejamento sumiu e o cofre invisível (chamado FPM) chegou com menos farinha pro bolo.
Se a economia vai mal, o imposto diminui e a fatia dos municípios vira migalha.
Tem ainda os descontos: dívida federal? Recheio retido. População caiu no censo? A cidade desce de faixa no rateio.
A verba entra e já sai, quitando pendências antigas, tipo pensão esquecida, é o dinheiro do povo jogando amarelinha, sempre pulando uma casa.
E o IPVA? Não vai direto pro asfalto esburacado, mas entra no bolo geral.

Já o IPTU, quando atrasa, vira Refis, aquele perdão tributário que gera revolta em quem paga certinho, mas alívio pra quem deve. Melhor receber um pouco do que nada.
Falência, na prática, não existe. Prefeitura não fecha nem evapora. O que falta, muitas vezes, é gestão firme e coragem de quem prefira o legado ao aplauso fácil.
Mas… a cada eleição, lá estão os mesmos nomes no cardápio. Seria mesmo falta de opção?
Sem continuidade, o novo governo recomeça do zero, sempre culpando o anterior.
Enquanto isso, cidades que apostam em planejamento e transparência colhem mais do que votos: colhem futuro.
No fim, essa crítica não é por raiva, mas por amor. Como quem chama a atenção de um amigo teimoso, que vive tropeçando no mesmo degrau.
Se a prefeitura está de joelhos, que seja só pra amarrar o cadarço e seguir em frente, com menos buraco e mais dignidade.

