Entre mordidas, quedas e julgamentos

O dia em que um ataque canino virou espetáculo e reflexão sobre prioridades

Na semana passada, ocorreu um episódio daqueles que as redes sociais adoram transformar em espetáculo. Um pitbull, forte e decidido, avançou contra um cãozinho que era carregado no colo por seu tutor. Bastou isso para que o idoso fosse ao chão.

O jornalista Auro Ferreira fez o que todo bom repórter faria: registrou. Não inventou, não editou, apenas mostrou o fato cru, como ele se apresentou. Um homem caído, com ferimentos e mordidas; um cachorro ferozmente contido; outro, pequeno e trêmulo, nos braços do dono ferido.

No meio dessa cena, surgiu um herói: um senhor que passava por ali, que não hesitou em imobilizar o pitbull até a chegada dos bombeiros. Salvou o homem, salvou o cachorrinho e, no fim das contas, salvou até o próprio pitbull de um destino que poderia ter sido pior.

No desfecho, o cão agressor foi adotado, o idoso saiu com curativos e um trauma que vai demorar a cicatrizar, e a internet ganhou combustível para “mimimis” e debates inflamados sobre culpa, amor aos animais e prioridade à vida humana.

No instante em que dentes se mostram e o perigo é real, a vida humana vem primeiro. Não por desprezo aos bichos, mas porque há uma ordem de urgência que precisamos respeitar.

Auro registrou com respeito ao animal, mas, sobretudo, ao homem. E, para quem insiste no “mimimi”, já aviso: tenho três cachorros e, entre eles, um rottweiler. Se, por acaso, ele atacar um ser humano, sinto muito, ficarei do lado certo.

Marcos Bonilla – Diretor e Editor Chefe do Jornal Opinião