Por que eu amo esta cidade?

Minha história de vida e gratidão à cidade que me adotou

Por Marcos Bonilla -Diretor e Editor-chefe

Nesta edição especial do Jornal Opinião, que chega à sua terceira publicação justamente no aniversário de 133 anos de Taquaritinga, compartilho uma história que é, ao mesmo tempo, pessoal e coletiva. É a minha trajetória, mas também um reflexo da forma como esta cidade acolhe, transforma e integra quem decide aqui fincar raízes.

Cheguei em agosto de 1990, vindo de Porto Alegre, para assumir um desafio totalmente novo: dirigir um barracão de frutas em Jurupema, deixando para trás uma década de experiência na enfermagem. Não entendia nada de frutas, mas aceitei o convite e logo aprendi que, mais do que processar e embalar mercadorias, o trabalho era uma porta de entrada para um novo mundo. Foi nessa época que nasceu o apelido “Marcos da Bonilla”, inspirado no logotipo da empresa para a qual trabalhava, e que me acompanha até hoje.

Jurupema foi meu primeiro lar paulista, mas foi na “cidade” que construí amizades duradouras. A primeira foi com Ginka Nakashima, que me recebeu na antiga Tenda Árabe e, desde então, tornou-se presença constante na minha vida. Ainda me lembro da curiosa visita da polícia civil no Hotel JM, intrigada com um forasteiro que andava filmando ruas e praças — eu apenas registrava imagens para mostrar aos amigos no Rio Grande do Sul.

Com o tempo, mergulhei também no universo cultural local. Ao lado de Guilherme Franco, criamos o movimento Cinema na Praça, que ganhou repercussão regional e ajudou a salvar o Cine São Pedro do fechamento. Ali, exerci todas as funções possíveis: escolhia filmes, rebobinava rolos, atuava como lanterninha e cuidava da bilheteria.

Em 1995, voltei a Porto Alegre, mas o vínculo com Taquaritinga nunca se rompeu. Retornei definitivamente em 2006, a convite do então prefeito Paulo Delgado, para assumir a Secretaria Municipal de Cultura e, logo em seguida, fui convidado pelo Dr. Bassoli para administrar o Colégio Objetivo — função que desempenho até hoje. Recebi com orgulho o Título de Cidadão Taquaritinguense, concedido pelo vereador Junior Previdelli.

A política também fez parte dessa caminhada. Fui eleito vereador, cheguei à vice-presidência da Câmara e hoje tenho a honra de dirigir este jornal. Em 2014, fiquei viúvo e, no ano seguinte, encontrei um novo capítulo ao lado de Marcela Oliveira, com quem divido a vida e os filhos.

Ao olhar para trás, percebo que tudo o que construí, os laços mais fortes, os momentos mais significativos, aconteceram aqui. Taquaritinga me acolheu como um filho. É por isso que, nesta data tão especial, reafirmo: amo esta cidade, não apenas pelo que ela é, mas pelo que ela representa na minha história e na de tantas outras pessoas que, como eu, encontraram aqui um verdadeiro lar.

Foto de capa: Leandro Mira