Ação realizada na Escola Estadual Profª Felicia Delvais Pagliuso reforça a importância da dignidade menstrual e distribui kits de higiene às alunas

Na última semana, integrantes do projeto Fluxo Digno, promoveram mais uma roda de conversa sobre pobreza menstrual, reunindo alunas do 7º e 8º ano para um diálogo aberto na Escola Estadual Professora Felicia Delvais Pagliuso.

A palestra foi ministrada por Munique Bassoli e Isabela Nascimento, que conduziram o bate-papo com as estudantes sobre saúde e dignidade menstrual.

Além da conversa, as alunas receberam kits de absorventes, disponibilizados pela própria escola por meio dos programas estaduais Conviva e Dignidade Íntima, ambos do Governo de São Paulo.

Criado em 2021, inicialmente com o perfil @fluxodigno no Instagram, o projeto permanente atua na conscientização sobre a pobreza menstrual e organiza arrecadações de absorventes para mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Quebrando tabus

A menstruação, historicamente cercada de preconceitos, ainda é vista como algo “sujo” ou “impuro”, o que dificulta a abertura de espaços para diálogo. Essa realidade contribui para que muitas pessoas que menstruam não se sintam confortáveis em compartilhar suas experiências ou tirar dúvidas sobre saúde menstrual.

Dados alarmantes

Segundo o Unicef (2025), 37% das adolescentes e jovens enfrentam dificuldades para acessar itens de higiene em escolas e locais públicos, e 19% não têm condições financeiras para comprar absorventes.
Uma enquete recente também revelou que 77% das pessoas já se sentiram constrangidas em escolas ou espaços públicos por estarem menstruadas, enquanto quase metade nunca teve acesso a palestras ou rodas de conversa sobre o tema.

Mais que absorventes

De acordo com a educadora menstrual Giovana Bazoni, idealizadora do ateliê Chão de Casa, a dignidade menstrual vai além do acesso a produtos. “A dignidade menstrual é, basicamente, o acesso às escolhas durante a vida menstrual. Isso envolve informação, infraestrutura, saúde, métodos contraceptivos e, sobretudo, o direito de conhecer o próprio corpo”, afirma.

Para a educadora, a educação menstrual é fundamental para combater tabus e garantir dignidade. “Não se trata apenas de distribuir absorventes, mas de oferecer condições de higiene, acesso a informações e um ambiente livre de estigmas e discriminação”, completa.