Tudo é questão de prioridades. Essa frase ganha um peso quase irônico quando pensamos em quem carrega, nas costas, parte do peso social de uma cidade. Cinco pessoas apenas. Cinco guerreiros chamados conselheiros tutelares.

Eles ganham R$ 2.465,00 brutos por mês. É o valor que a prefeitura decidiu pagar para quem, todos os dias, enfrenta a dor da infância ferida, a violência dentro de casa, a negligência, o descaso. E o pior, parece que eles são invisíveis.

O trabalho de conselheiro tutelar é plantão emocional, é vigília noturna, é estar pronto para a ligação que interrompe o jantar. É estar diante de uma mãe desesperada, de um pai agressivo, de uma criança que já aprendeu o significado da palavra “abandono”.

Os conselheiros, Daniela dos Santos, Tania Bordinassi, Juliana Piveta, Willyan Favero e Alzira Prado, com Marcos Bonilla conduzindo o juramento de posse

E aí me pergunto: quanto vale esse tipo de trabalho? Quanto deveria valer o peso de segurar o futuro de uma criança nos braços, de ouvir seu choro e, ao mesmo tempo, ter de manter a firmeza da lei?

Não se trata de luxo, nem de privilégio. Um salário digno para apenas cinco pessoas não levaria a cidade à falência. Um dia, talvez, a gente aprenda que não é possível falar de futuro sem cuidar de quem ainda é criança.

Não se constrói futuro sem cuidar da infância. Até que alguém entenda isso, nossos conselheiros seguirão enfrentando leões por hora, com o salário de quem vale menos que uma MEI recém-contratada.

Marcos Bonilla – Diretor/Editor-chefe do Jornal Opinião de Taquaritinga