DO CONTROLE REMOTO AO SMARTPHONE
Antigamente o aparelho obedecia. Hoje é ele quem dá as ordens

Outro dia percebi: a gente pode até morrer por causa do celular. Literalmente. Tem gente que já bateu o carro respondendo “kkk” no grupo da família. Pelo menos morreu rindo.
O celular virou nosso senhor, juiz e carrasco. Ele manda pagar conta, mostrar documento, assistir vídeo de gato dançando, rir de meme sem graça e chorar com criancinha faminta. E a gente obedece, feito zumbi com Wi-Fi.
No almoço, uma mão no garfo, outra no celular. Melhor pedir sopa, porque cortar carne exige duas mãos. A vida real tenta brigar por atenção, mas a virtual leva a melhor.
As escolas perceberam: proibiram os celulares. Resultado? Adolescentes respirando. Conversam, jogam bola, até discutem de verdade, e não com emoji. Nós, adultos, seguimos escravizados, rindo sozinhos de vídeos curtos, acreditando que isso é vida.
Antes, a gente decorava números de telefone, até a placa do carro do vizinho. Hoje, não lembramos nem o número do celular da mulher. No passado, a maior revolução tecnológica foi o controle remoto: luxo supremo do sofá
Na verdade, o celular não é mais uma ferramenta. É o dono da gente. A evolução nos passou, nos transformou em marionetes digitais. A verdadeira inovação que ainda nos falta parece simples: coragem de apertar o botão “desligar.
Foto: Buscapé
Marcos Bonilla – Diretor /editor-chefe
