Câmara de Taquaritinga promove Audiência Pública sobre o Autismo
Evento reuniu autoridades, especialistas, familiares e entidades em busca de políticas públicas inclusivas

Na noite da última terça-feira (2), a Câmara Municipal de Taquaritinga realizou uma audiência pública para debater políticas de atenção às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A sessão foi conduzida pelo presidente do Legislativo, vereador Betto Girotto, e contou com a participação de vereadores, de representantes da Associação Amigos dos Autistas (AMA), da Apae, profissionais da saúde e da educação, além de familiares e cidadãos engajados na causa.
Em sua abertura, o vereador Betto Girotto destacou a importância de unir esforços para transformar a realidade local. “O autismo é uma pauta que exige diálogo, acolhimento e ação. Esta Casa Legislativa está aberta para ouvir e buscar soluções junto à comunidade”, afirmou.

Representantes da AMA, Giúlia e Dulcinei Malaman, relataram os desafios enfrentados pelas famílias desde o diagnóstico até o acesso às terapias. A entidade, fundada em 2021, desenvolve projetos de acolhimento e assistência direta, custeando consultas médicas por meio de doações. No entanto, segundo os relatos, a maior dificuldade é garantir continuidade no tratamento, devido à falta de políticas públicas estruturadas e à longa fila de espera no CAPS infantil.

O debate também trouxe reflexões sobre a necessidade de políticas inclusivas em todas as fases da vida. Ana Carolina Barelli, ressaltou que o autismo não se limita à infância, sendo essencial pensar em educação inclusiva, inserção no mercado de trabalho e cuidados específicos para idosos autistas. “Políticas públicas não são favores, são direitos garantidos por lei. Precisamos construir uma rede que acompanhe a pessoa com TEA em todas as etapas da vida”, destacou uma das palestrantes.

A professora Dra. Mariana Mársico, presente ao encontro, reforçou a diferença entre igualdade e equidade, lembrando que oferecer os mesmos direitos nem sempre significa justiça. Ela também citou a Lei Berenice Piana (12.764/2012), que reconhece a pessoa autista como pessoa com deficiência, garantindo acesso a direitos e benefícios.
Dra. Jamile Palma, da Apae de Taquaritinga ressaltou a experiência da instituição no atendimento especializado e alertou para a limitação de vagas diante da grande demanda. Ele também defendeu maior investimento público, tanto em estrutura quanto na formação de profissionais. “Hoje não adianta pensar que apenas uma entidade ou o poder público vai dar conta sozinho. Precisamos de união, financiamento e humanização para avançar”, afirmou.

O secretário municipal de Saúde, Dr. Denis Machado, também se manifestou, reconhecendo as dificuldades enfrentadas pela rede pública. Segundo ele, a carência de profissionais especializados compromete o atendimento, mas a pasta busca alternativas por meio de convênios e parcerias. “Nós recebemos os pacientes e encaminhamos para especialistas. Infelizmente, ainda temos limitações, mas acreditamos que em breve conseguiremos firmar convênios para ampliar o acesso às terapias. Podem contar com a Secretaria de Saúde nessa luta”, afirmou.
Ao final, foi entregue um documento com recomendações de políticas públicas à Câmara Municipal, reforçando a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, terapias multidisciplinares, inclusão escolar e programas de empregabilidade para pessoas com TEA.
A audiência pública foi marcada pelo tom de união e pelo compromisso de transformar as propostas em ações concretas. Para os participantes, Taquaritinga pode ser exemplo de mobilização e inovação no atendimento às pessoas autistas.
Fotos: JB Lima

