A VERDADE SEM ENFEITES

Na cidade inteira, todo mundo sabe. Não é segredo, não é fofoca de esquina. A prefeitura está quebrada. População, políticos, funcionários, todos sabem. Então, por que insistir na cortina de fumaça, na conversa mole, de que não pagou por este ou aquele motivo?

A verdade, nua e crua, é simples: não pagou o que descontou do funcionário porque não tinha dinheiro. Ponto. Sem dramatização, sem justificativas mirabolantes. E, curiosamente, se fosse dito assim, com honestidade, o povo entenderia melhor. Sabíamos que a situação era grave, então para quê fingir?

Tem gente que se apega às regras, ao TCE-SP, às normas de transferência bancária. É correto, sim. Mas, sejamos francos: se houvesse dinheiro sobrando, o pagamento sairia como sempre saiu – em cheque mesmo. Depois se explica, se justifica, se presta contas. É assim que a vida real funciona quando não há luxo financeiro.

O prefeito, com coragem, já gravou vídeo dizendo que a cidade estava falimentar. Não há vergonha nisso. Não há necessidade de esconder. Mas há um ponto crítico: não se pode enrolar. É preciso sentar, negociar, mostrar a realidade aos credores, estabelecer prazos. Transparência é ação, não discurso.

E há o drama dos funcionários. O desconto no holerite que não é repassado. O dinheiro que não existe. É apenas um número contábil, uma promessa que a folha não consegue cumprir. No dia do pagamento, o que há é o líquido. Todo o resto fica apenas no papel. Até o IPREMT não escapa.

No fim, o que fica é a lição clara: a verdade, por mais dura que seja, sempre é mais fácil de engolir que a mentira enfeitada. Porque cidade nenhuma, por mais resiliente que seja, se sustenta em ilusão.

Marcos Bonilla – Diretor e editor-chefe do Jornal Opinião