Gestão responsável: um caminho possível para o poder público
Nesse momento em que se percebem os reflexos da gestão financeira nas prefeituras, cabe lembrar de outras administrações em que as contas públicas foram, de fato, administradas — e não deixadas ao acaso.
Que esses atos não passem despercebidos, pois seus reflexos são duradouros e deixam sequelas profundas, atingindo diversas gerações em razão de imprudências, devaneios e outros desmandos.
Parece redundância, mas, em nosso país, o óbvio costuma soar como virtude.
Não fiz parte da gestão de Paulo Delgado, tampouco estive ao seu lado em campanhas eleitorais. Mas lembro-me da cautela com que ele conduzia as contas públicas. Foi ele quem adquiriu o Cine São Pedro da família curti, numa compra parcelada cujo pagamento total foi concluído em dezembro de seu último ano de mandato — sem deixar qualquer ônus ou pendência para a família, nem para os cofres municipais.
É preciso que chegue o momento em que os poderes públicos brasileiros pratiquem as leis que eles mesmos criaram, encerrando os intermináveis “calotes”, os cheques em branco e sem fundos, que empurram aqueles que prestaram serviços aos governos para a fila dos precatórios — onde só resta a informação do crédito e a enorme incerteza sobre quando será pago.
Talvez, quando os bens pessoais dos gestores públicos se tornarem indisponíveis pelos atos praticados durante suas administrações, os candidatos passem a refletir mais antes de pleitear o voto dos eleitores para administrar sua cidade, seu Estado, sua Nação. A impunidade tem levado muitos ao caos.
Fica aqui o meu registro: a administração pública pode — e deve — ser conduzida dentro de padrões saudáveis de gestão.
Que cada gestor público tenha a certeza que sua administração será lembrada e caberá a ele deixar seu legado ou lembranças de seus desmandos.
Miguel João Neto
Advogado, pós-graduado e mestre em Gestão Pública.

