Paulo Delgado quitou mais de R$ 30 milhões e deixou Prefeitura sem dívidas

Apesar de figurar entre os prefeitos com estoque de precatórios, ex-chefe do Executivo de Taquaritinga pagou débitos herdados, organizou as contas públicas e fortaleceu o IPREMT

Apesar de aparecer nas listas com um valor significativo de estoques de precatórios o ex-prefeito Paulo Delgado não deixou dívidas ao final de seus dois mandatos (2005-2012). Ao contrário: durante oito anos de governo, ele quitou mais de R$ 30 milhões em compromissos assumidos por gestões anteriores, sempre em valores nominais da época.

Quando Paulo assumiu a Prefeitura, encontrou um cenário financeiro delicado. O funcionalismo municipal estava com três meses de salários atrasados – outubro, novembro e dezembro –, além do 13º. No apagar das luzes da administração que o antecedeu, um único decreto cancelou mais de R$ 10 milhões em empenhos já liquidados, montante que acabou, posteriormente, transformado em precatórios.

Outro desafio foi o IPREMT (Instituto de Previdência do Município de Taquaritinga): o caixa estava zerado em 2005, mas foi entregue, em 2012, com mais de R$ 13 milhões também em valores da época.

Paulo Delgado adotou uma política rígida de controle de gastos. O ex-prefeito assumia apenas compromissos que pudesse quitar antes do término do mandato, prática exemplificada na compra parcelada do prédio do Cine São Pedro, cuja última prestação coincidiu com o último mês de sua gestão.

Segundo especialistas em administração pública, o chamado “estoque de precatórios” não reflete necessariamente dívidas criadas pelo gestor em exercício. Trata-se de valores originados em diferentes períodos, resultantes de ações judiciais que, por determinação legal, são inscritos para pagamento durante o governo vigente.

“Os campeões de estoque de precatórios, muitas vezes, não são os responsáveis por gerá-los”, explica um servidor ligado ao setor financeiro da Prefeitura. “O prefeito que aparece na lista pode apenas ter recebido notificações de débitos antigos que passaram a compor o estoque em seu mandato.”

Assim, mesmo com um volume expressivo de precatórios registrados durante seu governo, Paulo Delgado terminou seus dois mandatos sem deixar dívidas ao sucessor, preservando o equilíbrio das contas municipais e fortalecendo o fundo previdenciário.

A experiência reforça um ponto importante: administrar com responsabilidade vai além de reduzir números em listas; significa não criar novos passivos e manter a saúde financeira da cidade, mesmo quando é preciso lidar com dívidas herdadas de gestões anteriores.