“A DIFÍCIL ARTE DE ORAR POR QUEM NOS FERIU”
Por: Ana Lúcia Santaella Aiello – advogada e pedagoga
Meu Deus, tenho relutado em escrever sobre isso…
Porque a Tua Palavra insiste: “orai pelos inimigos, amai os vossos inimigos.”
E eu ainda não sei bem como obedecer.
Amar, para mim, sempre foi o gesto maior: o abraço de mãe, a amizade fiel, o afeto que se doa sem medidas.
Esse amor inteiro, Senhor, eu sei… só Teu Filho conseguiu oferecer até àqueles que O feriram.
A mim, pequena como sou, talvez caiba um caminho mais simples: não revidar, não desejar vingança, não carregar veneno no coração.

E há ainda um desafio que pesa para todos nós: a língua.
Quantas vezes não é o coração, mas a boca que trai?
Palavras ditas sem pensar, carregadas de mágoa ou de raiva, acabam ferindo mais do que imaginamos
e nos afastam do mandamento de amar e orar pelos inimigos.
A verdade é que, muitas vezes, não é fácil conter o que sai dos lábios; mas justamente aí está o exercício maior: vigiar a palavra para que ela não destrua e, sim, construa.
Talvez baste elevar uma prece sincera, pedindo que aqueles que erraram encontrem tempo e coragem para mudar.
Mas, Pai, que difícil é esse exercício!
Como orar por quem me machucou, se ainda dói?
Como desejar luz para quem me lançou sombra?
E, no entanto, sinto que é justamente aí que está o milagre: no instante em que, mesmo trêmula, minha voz se levanta em oração, já começo a me libertar.
Então, Senhor, recebe hoje meu esforço imperfeito.
Não consigo amar como Tu amas… mas consigo não odiar.
Consigo pedir-Te que a Tua misericórdia alcance também a quem me feriu.
E assim, pouco a pouco, talvez eu aprenda o que significa Te seguir.
Porque orar pelos inimigos, é deixar que o Teu amor ocupe os espaços que a dor queria tomar em mim.
E é nessa entrega, Senhor, que descubro que o perdão, antes de alcançar o outro, já começa a curar o meu coração.

