Quando a conta não fecha
Sem coragem para cortar gastos, Taquaritinga corre o risco de ver o futuro escorrer pelo ralo

Há cidades que vivem de sonhos, outras de promessas. Taquaritinga, no entanto, vive hoje da matemática cruel: mais sai do que entra, a conta não fecha. Não é poesia, não é exagero, é realidade nua e crua. O prefeito anunciou tempos atrás, em suas redes, que a situação financeira era crítica — muito crítica, frisou. Mas, de lá para cá, a sensação é que pouco ou quase nada mudou.
E como se cura uma doença grave sem remédio amargo? Não há milagres que venham sem sacrifícios. Cortar na carne dói, mas insistir no gasto sem freio é como tapar o sol com a peneira. É fingir que a casa não desmorona enquanto o teto já cede.
Economizar não é apenas fechar torneiras, mas aprender que gastar o que não se tem é cavar o próprio buraco. Taquaritinga precisa de zelo, de gestão, de escolhas firmes, e isso significa dizer “não” quando todos querem ouvir “sim”. O luxo de agradar a todos custa caro demais quando o caixa está vazio.
No fim, o município não precisa de grandes obras ou discursos bonitos. Precisa do básico: cautela, planejamento e coragem. A cidade não vai parar, mas se continuar neste ritmo, a luz do futuro pode se apagar antes da hora. E, nesse caso, como já se diz por aí: o último que sair, que apague a luz.

