Terreiro de Umbanda Caboclo Pena Azul mantém viva tradição de Cosme e Damião
Festa no bairro Talavasso chegou à 14ª edição e celebrou valores de união, generosidade, reunindo mais de 400 pessoas

No último dia 29, o Terreiro de Umbanda Caboclo Pena Azul promoveu a 14ª Festa de Cosme, Damião e Doum, realizada na Rua José Joaquim Esteves, nº 61, no bairro Residencial Ipiranga – Talavasso, em Taquaritinga. O evento, já consolidado como um dos mais tradicionais da região, reuniu fiéis e simpatizantes em uma noite marcada por devoção, oração, cânticos e confraternização.
A celebração homenageia os santos gêmeos, considerados protetores das crianças e símbolos de pureza, generosidade e amor ao próximo. Como é costume, a festa contou com a distribuição de doces, bolos e refrigerantes, reforçando valores de solidariedade e união entre os presentes.
Segundo Anderson Fernandes, e Carolina Boccardo Razzano, dirigentes do Terreiro de Umbanda Caboclo Pena Azul, que também é um Ponto de Cultura de Taquaritinga, a continuidade do evento ao longo de 14 anos mostra sua importância para a comunidade.
“A festa mantém viva a devoção aos santos, mas também é um momento de integração comunitária, que une gerações em torno da fé e da cultura popular”, destacou.

Famílias inteiras compareceram, participando de uma celebração que, além do aspecto espiritual, reafirma o terreiro como espaço de acolhimento, solidariedade e preservação cultural. Aberta a toda a comunidade, independentemente de credo ou religião, a festa reforçou o espírito coletivo e o fortalecimento dos laços sociais.
Sobre Cosme e Damião
A devoção a São Cosme e São Damião tem origem cristã e, no Brasil, foi marcada pelo sincretismo religioso com tradições de matriz africana. A Igreja Católica celebra os santos em 26 de setembro, enquanto religiões afro-brasileiras dedicam o dia 27 às homenagens.
Segundo o padre Carlos Augusto Cruz, pároco da Igreja de São Cosme e São Damião, em Salvador (BA), a história dos gêmeos mártires é um testemunho de fé que ultrapassa fronteiras religiosas.
“A devoção foi trazida pelos portugueses e, com o tempo, se desenvolveu em um forte sincretismo com as religiões de matriz africana, que a Igreja Católica entende e respeita”, explicou.

A historiadora e sacerdotisa da Umbanda, Mônica Barbosa, destaca que, durante o período colonial, os africanos escravizados foram proibidos de cultuar seus orixás. Assim, os santos católicos passaram a ser associados aos Ibejis, divindades gêmeas do Candomblé. “Esse sincretismo nasce da necessidade de preservar a fé. Com o tempo, a tradição de oferecer doces foi incorporada, tornando-se parte essencial da festa, que hoje é celebrada em todo o Brasil”, ressaltou.
Com a força da fé e o envolvimento comunitário, a Festa de Cosme, Damião e Doum, que ocorre na Talavasso, continua a se renovar a cada ano, mantendo viva uma tradição que une espiritualidade, cultura popular e solidariedade.


