Perigo ao volante: cresce o uso do celular durante a direção em Taquaritinga
Distração aumenta risco de acidentes em até 400%, segundo estudos; especialistas alertam para a “pandemia” da distração ao volante



Em Taquaritinga, a cena tem se tornado cada vez mais comum: motoristas com o olhar fixo no celular enquanto o carro segue em movimento. Seja em um simples semáforo ou em vias movimentadas, o hábito de checar mensagens, redes sociais ou aplicativos de navegação transformou-se em um dos maiores riscos à segurança no trânsito.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), o uso do celular já é a terceira principal causa de mortes no trânsito no Brasil, com cerca de 154 óbitos por dia. O comportamento aumenta em até 400% o risco de acidentes.
Um levantamento do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) reforça a gravidade do problema: em 2024, foram aplicadas mais de 167 mil multas apenas no estado por motoristas flagrados utilizando o celular enquanto dirigiam — uma das infrações mais comuns nas ruas e rodovias paulistas.
Um hábito perigoso e cada vez mais comum
Pesquisas mostram que 19,3% dos brasileiros admitem usar o celular enquanto dirigem, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o número real chega a 90%. No mundo, mais de 1,3 milhão de acidentes foram provocados em 2024 por essa prática.
O uso varia: 54% ouvem música ou podcasts, 50% fazem ligações ou enviam mensagens, 45% acessam redes sociais, e 33% chegam a assistir vídeos ou filmes. Além de ser ilegal, o comportamento desvia a atenção por segundos preciosos — suficientes para causar tragédias.
Dirigir com os olhos fechados

O diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) de Porto Alegre, Pedro Bisch Neto, compara digitar mensagens ao volante a “dirigir com os olhos fechados”.
“Enquanto digita, o condutor baixa a cabeça e o veículo segue em frente. Quando ele volta a olhar, o cenário já mudou. São segundos que matam”, afirma o especialista.
A Abramet define o uso do celular enquanto dirige pela sigla FAC – Falhas de Atenção ao Conduzir, classificando-o como um fator de risco crescente. A entidade alerta para os efeitos operacionais, psicológicos e cognitivos da prática: o simples ato de atender a uma ligação já transforma a direção em atividade secundária.
Multas e punições
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) classifica o uso de celular ao volante como infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH. Mesmo o uso com fones de ouvido pode gerar multa de R$ 130,16 e quatro pontos.

Apesar das punições, a fiscalização enfrenta dificuldades diante do aumento do número de motoristas distraídos. Em Taquaritinga, percebe-se que a prática tem crescido, especialmente entre jovens motoristas e motociclistas.
Casos reais de imprudência

Relatos de motoristas que sofreram acidentes por distração mostram como o risco é real. Em diversas cidades brasileiras, condutores admitem colisões leves e graves por segundos de desatenção ao olhar uma mensagem. Em um dos depoimentos, um motorista afirmou:
“Olhei o WhatsApp por um instante e, quando voltei a olhar para frente, já estava em cima do outro carro. Foram só alguns segundos, mas poderiam ter sido fatais.”
Educação e conscientização
Para especialistas, combater o uso do celular ao volante exige mais do que fiscalização: é preciso mudar comportamentos.
“O motorista precisa entender que o celular pode esperar. Uma mensagem nunca será mais importante que uma vida”, afirmam os especialistas.
Com o avanço da tecnologia, novas ferramentas como Bluetooth e viva-voz ajudam a reduzir os riscos, mas o alerta continua: qualquer distração pode ser fatal.
Fontes: Abramet, Detran-SP, OMS, Veja Negócios, Gazeta SP, Metrópoles.,

