SUS – 35 anos!

Por: Dimas Ramalho

Em 1988, o Brasil deu um passo histórico ao garantir na Constituição que “saúde é direito de todos e dever do Estado”. Dois anos depois, em 1990, esse ideal se materializou com a criação do Sistema Único de Saúde – o SUS, um marco de cidadania e solidariedade nacional.

Hoje, ao completar 35 anos, o SUS é reconhecido como uma das maiores conquistas sociais do povo brasileiro. Em um país de contrastes e desigualdades, o sistema garante atendimento gratuito e universal — do sertão às metrópoles, das aldeias indígenas às periferias. Está presente nas Unidades Básicas de Saúde, ambulâncias do Samu, salas de vacinação, centros de saúde mental, farmácias populares e unidades de pronto-atendimento.

Suas vitórias são inúmeras. O Brasil foi pioneiro ao distribuir gratuitamente medicamentos contra o HIV/AIDS, tem um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo — com mais de 30 mil realizados em 2024 — e lidera políticas eficazes contra o tabagismo. A Estratégia Saúde da Família revolucionou a atenção primária, acompanhando o cidadão desde o nascimento e fortalecendo o vínculo entre profissionais e comunidades.

Durante a pandemia de Covid-19, o SUS mostrou toda sua força: organizou testagem, criou leitos de UTI, estruturou campanhas de vacinação e salvou milhões de vidas. Em meio ao caos, foi escudo, abrigo e esperança.

Entretanto, o sistema enfrenta um problema estrutural que o acompanha desde o início: o subfinanciamento. Os recursos, embora crescentes, não acompanham o avanço das demandas e tecnologias. Segundo estimativas da Instituição Fiscal Independente, será necessário aumentar em cerca de R$ 10 bilhões anuais o investimento público em saúde para garantir um atendimento digno e eficaz.

Ainda assim, o SUS se mantém de pé — sustentado pelo empenho de seus profissionais, pela mobilização da sociedade e pela confiança da população. O que o faz resistir não é apenas a estrutura, mas o compromisso com a vida e com a dignidade humana.

Agora, mais do que homenagens, o SUS precisa de compromisso e investimento. É hora de enfrentar o subfinanciamento, fortalecer a atenção básica, investir em inovação e valorizar os profissionais da saúde. O SUS não é um custo: é um investimento em cidadania, justiça social e futuro.

Imperfeito, mas indispensável, o Sistema Único de Saúde é uma obra coletiva e viva. E enquanto houver uma vacina aplicada, um atendimento de urgência prestado ou uma vida salva, o SUS continuará cumprindo sua promessa de cuidar de todos os brasileiros.

* Versão resumida do artigo

Fotos: Gov e analisepoliticaemsaude.org

Dimas Ramalho é vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.