Refis pra inglês ver
Quando o “socorro” público vai parar na conta dos abastados

Taquaritinga tem mais uma novidade — dessas que vêm de um discurso bonito de “ajuda à população”, mas que, no fundo, cheiram a privilégio requentado. A Prefeitura enviou para a Câmara — e foi aprovado — um projeto de lei criando um tal de Refis. Até aí, nada de novo: todo ano tem.
Pelo texto da lei, o contribuinte que quiser o benefício precisa pagar à vista. Isso mesmo, à vista. Os descontos vão de 80% a 100%. Mas não é do principal, não — é da multa e dos juros apenas. Até porque não pode haver desconto do principal, já que isso configuraria renúncia de receita, o que é proibido por lei.
Parece generoso, não é? E aí vem a pergunta que não quer calar: se o cidadão está devendo porque não tinha dinheiro para pagar o imposto lá atrás, de onde é que vai tirar dinheiro agora pra quitar tudo de uma vez?
O pobre olha de longe, como quem vê um banquete servido para os outros. Continua contando moedas pra pagar o gás, o arroz, a luz e a conta do mercado. Já o rico — ah, o rico — esse sim se dá bem. Deixa o dinheiro aplicado e espera o Refis chegar. Paga o principal e ainda sobra o lucro dos juros da aplicação. Um bom negócio.

No fundo, é um Refis pra inglês ver — um presente de Natal antecipado para quem nunca precisou de ajuda. Um “programa social” ao contrário, feito para favorecer quem escolhe dever só pra lucrar depois.
E assim seguimos: o rico cada vez mais tranquilo, o pobre cada vez mais cansado, e o poder público — sempre generoso com quem menos precisa.

