Justiça por Emily: homem é condenado a 27 anos por feminicídio, lesão corporal e sequestro em Taquaritinga
Família acompanhou todo o julgamento em busca de justiça por uma jovem que perdeu a vida ao defender a irmã

Após mais de 12 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de Taquaritinga condenou, nesta terça-feira (15), João Vitor Ramos Romano a 27 anos e 2 meses de reclusão pelos crimes de feminicídio, lesão corporal e sequestro. O caso, ocorrido em 9 de julho de 2023, no Premier Hall, chocou a cidade pela brutalidade. Romano já estava preso preventivamente e, após a sentença, retornou ao presídio.


O julgamento foi presidido pelo juiz Dr. Alexandre Francisco Santos e contou com a atuação do promotor de Justiça Hermes Duarte Moraes. Na defesa, atuaram os advogados Carlos Alberto Telles e Geisa Cívico Crippa. A tese defensiva tentou descaracterizar o feminicídio, alegando que se tratava de lesão corporal seguida de morte, mas os jurados mantiveram o enquadramento original da denúncia.




Por orientação da defesa, o réu respondeu apenas às perguntas de seus advogados. Durante a sessão, familiares e amigos da vítima acompanharam cada momento com forte comoção. O plenário registrou ainda reclamações sobre o sistema de ar-condicionado, que é do tipo janela, e o barulho constante dificultou a audição das testemunhas, já que não havia microfone disponível.
O crime aconteceu quando Emily Collen Dutra, de apenas 17 anos, foi esfaqueada no pescoço ao tentar defender a irmã, Vivian Collen Dutra, das agressões do cunhado, João Vitor Ramos Romano, na saída da casa noturna. Vivian também foi ferida com uma facada no braço.



A investigação do caso ficou a cargo da delegada Dra. Célia Maria Lara Tanan Souza Reis, que conduziu os trabalhos com agilidade e encaminhou o inquérito ao Ministério Público, possibilitando o julgamento do autor em pouco mais de um ano após o crime.

Emily completaria 18 anos dois dias após o crime, e sua morte deixou a cidade em luto e a família devastada. “Acabou com a família. Ela ia fazer 18 anos agora, e está tudo destruído”, disse um amigo próximo das irmãs, na época.
A jovem foi socorrida por familiares, mas não resistiu aos ferimentos. Seu sepultamento, no cemitério municipal de Taquaritinga, reuniu centenas de pessoas em uma despedida marcada por dor e revolta.
Com a decisão do júri, a Justiça reconheceu o crime como feminicídio, reafirmando o caráter de violência contra a mulher — um caso que continuará ecoando na memória da comunidade taquaritinguense.
Fotos G1

