Laudo do IML desmente versão do adolescente preso pelo assassinato de Vanderlei Mársico e pode mudar o rumo das investigações

Perícia do IML confirma que o ex-prefeito foi morto por esganadura, contrariando a versão do adolescente apreendido, que disse tê-lo asfixiado com “mata-leão” enquanto dormia

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que o ex-prefeito e empresário Vanderlei José Mársico foi morto por asfixia mecânica causada por esganadura — ou seja, pela compressão do pescoço com as mãos, impedindo a passagem de ar para os pulmões. O documento foi entregue ao Departamento de Investigações da Polícia Civil de Taquaritinga (SP) e anexado ao inquérito que apura o crime, registrado como latrocínio (roubo seguido de morte).

O resultado contradiz a versão apresentada pelo adolescente apreendido, um dos três suspeitos de participação no assassinato. Em depoimento, o infrator afirmou que aplicou um golpe conhecido como “mata-leão” enquanto Vanderlei dormia e que ele ainda apresentava sinais vitais quando o trio deixou o imóvel. O jovem também declarou que uma meia teria sido colocada na boca da vítima para provocar asfixia.

Entretanto, segundo o laudo pericial, a morte se deu por esganadura manual, o que indica uma ação mais violenta e intencional do que a descrita pelo adolescente. Com base nesse resultado, o Setor de Investigações Gerais (SIG) conclui que os criminosos tinham certeza de que Vanderlei já estava morto quando fugiram da residência. As investigações foram comandadas pelo delegado Dr. Fábio Abib Calazans e sua equipe.

Atualmente, os três executores estão presos à disposição da Justiça. O primeiro deles foi capturado em Santa Catarina, onde confessou participação no crime. Os outros dois — um adolescente e um jovem de 19 anos — negam envolvimento.

O crime

Vanderlei Mársico, de 73 anos, foi encontrado morto na manhã de 10 de julho, em sua casa, no centro de Taquaritinga. O corpo foi localizado por uma funcionária, que chegava para o expediente após o feriado. Segundo a Polícia Militar, ele estava enrolado em um cobertor e com os pés amarrados a fios.

Imagens de câmeras de segurança mostraram que três bandidos invadiram o imóvel às 2h06 da madrugada de 9 de julho, permanecendo cerca de 40 minutos no local e deixando o ambiente com o carro da vítima. O veículo foi encontrado cinco dias depois, em uma área de mata de difícil acesso na Serra do Jaboticabal, sem as placas, que estavam jogadas ao lado.

Prisões e investigação

A rápida ação da Polícia Civil resultou na localização do primeiro suspeito em Tijucas (SC), próximo a Itapema. Ele foi apreendido e encaminhado à Fundação Casa de Ribeirão Preto. Segundo o delegado Dr. Claudemir Pereira da Silva, a investigação chegou até o menor após o rastreamento do celular da vítima.

Posteriormente, a equipe do delegado Dr. Fábio Abib Calazans prendeu o terceiro envolvido, maior de idade, em Taquaritinga, completando o cerco aos acusados. “Foram dois meses de trabalho incansável. Com muito empenho, conseguimos efetuar as prisões”, afirmou Abib.

Com o laudo do IML, a investigação ganha um novo peso, reforçando a suspeita de que o crime foi cometido com extrema violência — e desmontando a tentativa do adolescente de minimizar sua responsabilidade na morte do ex-prefeito.

Fonte: Acontece Taquaritinga