Raio-X das finanças de Taquaritinga revela déficit, endividamento e alerta de austeridade

Estudo do Jornal Opinião, com base no Portal da Transparência, mostra déficit superior a R$ 3 milhões, investimentos mínimos e gastos elevados com custeio. Prefeito Fúlvio Zuppani anunciou medidas de contenção e corte de despesas em coletiva à imprensa

Um retrato das contas públicas

Um levantamento realizado pelo Jornal Opinião junto ao Portal da Transparência traça um retrato fiel da situação financeira da Prefeitura de Taquaritinga: as despesas superam as receitas e os investimentos praticamente desapareceram do orçamento.

De janeiro a outubro de 2025, a administração municipal arrecadou R$ 209 milhões, mas gastou R$ 212 milhões, gerando um déficit de mais de R$ 3 milhões. O nível de investimento, segundo o estudo, não chega a 1%, o que significa que quase toda a receita está comprometida com folha de pagamento e despesas de custeio.

A queda na arrecadação, fenômeno recorrente nos últimos meses do ano, tem agravado o quadro de desequilíbrio — algo que o Jornal Opinião já vinha alertando em editoriais anteriores sobre a necessidade de austeridade e gestão responsável.

Dívidas acumuladas e custo da máquina pública

Durante a entrevista coletiva concedida à imprensa, o prefeito Dr. Fúlvio Zuppani confirmou o cenário preocupante. Segundo ele, o município ainda enfrenta restos a pagar de R$ 98 milhões e uma dívida consolidada de R$ 153 milhões, das quais R$ 28 milhões já foram quitadas desde 2021.

A folha de pagamento representa 48% da receita corrente líquida, valor dentro do limite legal, mas que ainda pressiona fortemente o caixa municipal, pois MEI’s são contratadas para suprir o déficit funcional. A Secretaria Adjunta, ligada ao gabinete do prefeito, consumiu R$ 7 milhões em dez meses com subsídios e agentes políticos.

Outros setores também apresentam altos custos:

  • Diretoria de Urgência e Emergência: R$ 39 milhões;
  • Diretoria de Manutenção Urbana: R$ 22 milhões.

Custos de operação em números

O estudo do Opinião mostra ainda que, em dez meses, a Prefeitura desembolsou:

  • R$ 1,2 milhão com energia elétrica (CPFL) – cerca de R$ 100 mil mensais;
  • R$ 710 mil em telefonia;
  • R$ 216 mil em adiantamentos e diárias de viagem;
  • R$ 219 mil em multas, principalmente aplicadas pela CETESB;
  • R$ 3,5 milhões em amortização de dívidas.

Já os repasses à Santa Casa “Dona Zilda Salvagni” ultrapassam R$ 16 milhões no exercício, conforme o Convênio 001/2022, destinado ao custeio de procedimentos de média complexidade.

Medidas de contenção e reestruturação

Na coletiva, Zuppani anunciou um plano emergencial de contenção de gastos e reestruturação administrativa. A meta é reduzir em até 40% as despesas com estruturas e serviços terceirizados até o fim do ano.

Segundo o prefeito, não haverá demissões em massa, mas a administração vai “otimizar o uso do pessoal existente” e rever contratos de prestação de serviço via MEI — cerca de 50 profissionais atuam atualmente em funções técnicas essenciais. “É um mal necessário. Sem os MEIs, a máquina não roda, mas é preciso reduzir e readequar”, afirmou.

Um novo concurso público está previsto para suprir áreas críticas, como limpeza, manutenção predial e serviços gerais.

Saúde e Assistência Social na linha de frente dos ajustes

A Saúde é o setor mais sensível do pacote de medidas. O prefeito confirmou que a UPA 24h “Wilson Rodrigues” passará por reorganização de atendimento, voltando-se exclusivamente para casos de urgência e emergência. “A UPA não pode ser substituta das UBSs. Precisamos reeducar a população”, disse.

O custo mensal da unidade é de cerca de R$ 800 mil, mas recebe apenas R$ 100 mil do governo Federal. A reativação do setor de hemodiálise da Santa Casa, em negociação com o Ministério da Saúde, deve reduzir gastos com transporte de pacientes para outras cidades.

Na Assistência Social, haverá redução nos benefícios e auxílios. “Quem vinha buscar alguma coisa, vai sair com menos, mas ninguém ficará desassistido”, garantiu o prefeito. A Prefeitura também busca regularizar repasses atrasados a entidades conveniadas, referentes aos exercícios de 2022, 2023 e 2024, mediante acordo com o Ministério Público.

Patrimônio e leilões de imóveis

Taquaritinga possui mais de 800 imóveis registrados, sendo cerca de 600 passíveis de leilão ou dação em pagamento. O objetivo é reduzir a dívida com o IPREMT (Instituto de Previdência Municipal), dentro das possibilidades abertas pela nova PEC Previdenciária.

Zuppani também estuda centralizar setores administrativos para reduzir gastos com aluguéis, utilizando imóveis próprios, como os prédios da farmácia municipal e dos postos de saúde.

Licitações e transparência

O estudo do Opinião identificou 177 licitações abertas em 2025, mas o Portal da Transparência exibe apenas processos de 2024, evidenciando falhas na atualização e dificultando o controle social. O jornal reforça a importância de transparência e comunicação clara com a população — especialmente em tempos de crise fiscal.

Reflexão e apelo à união

Encerrando a coletiva, o prefeito Fúlvio Zuppani fez um apelo à população:

“Estamos atravessando um período difícil. Chegou o momento de cada família participar mais, resolver o que for possível em casa e usar os serviços públicos com responsabilidade. Com união, vamos reorganizar Taquaritinga.”

O Jornal Opinião reitera que, diante de um quadro de déficit crescente, investimentos quase nulos e altos custos fixos, a cidade precisa de gestão técnica, responsabilidade fiscal e cooperação entre governo e sociedade.

“Se nada for feito, nada vai mudar.”