A carteira vermelha e o peso da conquista
O Exame da OAB separa os distraídos dos determinados e consagra os que jamais desistiram


Passar no exame de ordem da OAB não é tarefa simples. Coloca à prova não apenas o conhecimento adquirido nos longos anos de faculdade, mas também a força de vontade, a disciplina e, sobretudo, a resiliência. Afinal, depois de cinco anos, o bacharel descobre que ainda tem que enfrentar o temido exame da Ordem dos Advogados do Brasil.

São duas fases, e cada uma delas um teste não apenas de saber jurídico, mas de nervos, paciência e fé. A primeira, com 80 questões objetivas, já elimina boa parte dos sonhadores. A segunda, mais cruel e exigente, pede que o candidato elabore uma peça processual e responda a quatro questões dissertativas.
As estatísticas são impiedosas, cerca de 80% reprovam. Isso significa que, para cada advogado que recebe a sonhada carteira vermelha, há outros quatro que ainda aguardam sua vez. Por isso, cada aprovação deve ser celebrada com entusiasmo. Porque trata-se da consagração de um esforço quase épico.
Juliana Azevedo, minha nora, é exemplo disso. Persistente, estudiosa e determinada, enfrentou o desafio com coragem e serenidade. Mesmo após algum tempo de formada, manteve-se firme no propósito, até conquistar o que tantos almejam: o direito de advogar. Hoje, integra a respeitada legião de advogados do Rio Grande do Sul, que já soma mais de 90 mil profissionais.



A aprovação de Juliana é mais do que um triunfo pessoal. É símbolo de superação, de foco, de fé no próprio caminho. Representa todos aqueles que, entre o cansaço e a esperança, escolhem tentar mais uma vez.
E é por isso que deixo aqui meu respeito e admiração a todos os que venceram o exame da Ordem. Porque cada carteira vermelha guarda, em si, não apenas o direito de exercer a advocacia, mas a história de quem não desistiu — e isso, sim, é digno de aplausos.

