Terreiro de Umbanda e USP promovem encontro em Taquaritinga para valorizar cultura africana e combater intolerância religiosa
Parceria entre o Ponto de Cultura Terreiro Caboclo Pena Azul e o MAE-USP leva conhecimento e ancestralidade a cerca de 190 participantes em noite de aprendizado e respeito

Em uma noite de celebração à diversidade cultural e ao respeito religioso, o Ponto de Cultura Terreiro de Umbanda Caboclo Pena Azul, de Taquaritinga, recebeu na última segunda-feira (27/10) uma atividade especial em parceria com o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP). O evento reuniu cerca de 190 pessoas e marcou um importante momento de integração entre o saber acadêmico e as tradições afro-brasileiras, por meio da apresentação do “Kit Educativo Africano e Afro-brasileiro”.
Conhecimento e ancestralidade em diálogo
A ação teve como objetivo fortalecer a aplicação da Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira nas escolas. O salão do terreiro se transformou em uma verdadeira sala de aula viva, onde a espiritualidade e a ciência caminharam lado a lado.

O professor e pai-pequeno do Terreiro, Thiago D’Oxóssi, mediou a atividade, explicando os significados dos objetos que compõem o kit. Empunhando um tridente, símbolo de Exu, ele destacou o papel do orixá como mensageiro e guardião dos caminhos. “Exu é o orixá da comunicação, aquele que abre os caminhos. É preciso conhecer para respeitar”, afirmou, ao abordar o equívoco histórico que associou a divindade à figura do diabo por influência do racismo e do sincretismo distorcido.



Objetos sagrados e histórias vivas
Entre os itens apresentados, despertaram grande interesse o “abebé”, um leque-espelho usado por orixás como Oxum e Iemanjá, símbolo da beleza e da autoanálise, e o “balangandã”, conjunto de pequenas esculturas de metal que representam elementos da natureza e do cotidiano, utilizados como amuletos. Ao todo, dez objetos foram apresentados e contextualizados, aproximando o público da simbologia e da riqueza das religiões de matriz africana.

Cultura, fé e resistência
A parceria entre o MAE-USP e o Terreiro Caboclo Pena Azul é resultado de um projeto que busca aproximar o conhecimento científico das comunidades que são guardiãs vivas dessas tradições. O kit educativo foi desenvolvido em conjunto com terreiros de candomblé, educadores e pesquisadores, com foco em promover uma educação antirracista e ampliar a compreensão sobre a herança africana na formação do Brasil.

Para os dirigentes do ponto de cultura, Pai Anderson D’Oxóssi e Mãe Carolina D’Oxalá, o encontro foi um marco. “Nosso terreiro é um espaço de fé, mas também de cultura e educação. Promover um evento como este, que valoriza nossa história e combate o preconceito com informação, é fundamental para nossa comunidade”, destacou Pai Anderson.

Um encontro que abre caminhos
A noite terminou com um sentimento coletivo de aprendizado, respeito e fortalecimento. O evento mostrou que a união entre a academia e os espaços tradicionais de saber é um caminho essencial para o enfrentamento da intolerância e para a valorização da identidade afro-brasileira.
Em Taquaritinga, o terreiro se firmou, mais uma vez, como um espaço de fé, cultura e transformação social.

