Brasil adota novo Símbolo Internacional de Acessibilidade: inclusão que vai além da cadeira de rodas
Nova identidade criada pela ONU representa todas as deficiências, incluindo o autismo — e reforça a visão de inclusão plena e diversidade humana
O Brasil deu mais um passo importante rumo à inclusão plena das pessoas com deficiência. O Senado Federal aprovou o projeto que substitui o tradicional símbolo da cadeira de rodas pelo Símbolo Internacional de Acessibilidade, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015. A proposta (PL 2.199/2022), de autoria da senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), segue agora para a Câmara dos Deputados.

Um novo olhar sobre a acessibilidade
O novo ícone, que mostra uma figura humana estilizada dentro de um círculo, representa todas as pessoas com deficiência, e não apenas aquelas com limitações de mobilidade. Segundo Mara Gabrilli, a mudança reflete uma visão mais ampla e contemporânea da inclusão:
“A imagem da cadeira de rodas foi um marco, mas o novo símbolo é um convite para enxergarmos as diversas formas de deficiência — física, visual, auditiva, intelectual, psicossocial, múltipla e também as condições do espectro autista. A acessibilidade é para todos.”
A senadora destacou ainda que a nova identidade visual traz uma mensagem de autonomia, participação e pertencimento, conceitos centrais na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU.

O que muda na prática
Com a aprovação da medida, órgãos públicos e privados deverão adotar o novo símbolo em locais de uso coletivo, acessos, serviços e sinalizações. O projeto também exige a instalação de pisos regulares e antiderrapantes, além de maquetes táteis e recursos sensoriais em espaços públicos, para garantir acessibilidade a pessoas com deficiência visual, intelectual e neurodivergente.
A substituição, no entanto, não será imediata — haverá um prazo regulamentar para adequação, a fim de evitar custos excessivos e permitir uma transição gradual e planejada.
Inclusão além da imagem
A mudança representa uma transformação de mentalidade. Ao deixar para trás o símbolo que se restringia à deficiência física, o Brasil se alinha a outros países que já utilizam a marca inclusiva da ONU. O novo desenho simboliza igualdade, respeito à diversidade humana e o direito de todos à plena participação social, incluindo pessoas com autismo, deficiência auditiva, visual, motora, intelectual e psicossocial.
Termo correto
A sigla PcD (Pessoa com Deficiência) continua sendo a forma adequada e respeitosa de referência, substituindo expressões ultrapassadas como “portador de deficiência” ou “deficiente”.
Com a adoção do novo símbolo, o país reafirma o compromisso com a acessibilidade universal — não apenas como adaptação de espaços, mas como reconhecimento de que a sociedade só é completa quando acolhe e valoriza todas as diferenças.

