O Feitiço de Taquaritinga
Taquaritinga deve ter sido enfeitiçada — e olha que não é força de expressão. Às vezes parece mesmo que alguém, lá atrás, soprou um mau agouro no vento e rogou praga: “que toda vez que a cidade começar a se erguer, venha um tombo”.
Porque, convenhamos, não é normal. Primeiro, a tal da Mac Clean veio, fez pose de empresa séria, contratou gente boa, gente que acorda cedo, veste o uniforme com dignidade — e depois deu o cano em mais de cem funcionários.
Agora, o supermercado Vencedor — ironia do nome, diga-se de passagem, fecha as portas e avisa que está em recuperação judicial. Trinta e duas famílias sem salário, sem rumo, sem saber o que fazer com o boleto de amanhã.
E como se não bastasse, Taquaritinga anda com cara de cidade triste. As esquinas viraram vitrines de “aluga-se”. Cinquenta, sessenta lojas fechadas, vitrines vazias com placas de vende-se ou aluga-se – vai alugar pra quem?



A prefeitura diz que o caixa está no vermelho. Mas o que preocupa é a esperança que vai se esvaindo, dia após dia. É o comerciante que levanta a porta cedo, mas não vê mais movimento. É o estudante que sonha em ficar, mas não vê oportunidades e acaba indo embora.
Talvez o segredo, não esteja em desenterrar o feitiço, mas em reavivar o espírito de comunidade. O único partido que deveria existir, neste momento, é o partido Taquaritinga. Unidos, quem sabe, a gente vira o jogo. E se o feitiço realmente existir, que vá embora, de uma vez por todas, pra nunca mais voltar.

