O Velório que já morreu
Taquaritinga Merece um Adeus Melhor
Em Taquaritinga, existe um lugar onde o tempo parece não respeitar ninguém. Nem os vivos, nem os mortos. O Velório Municipal, que deveria ser abrigo para despedidas silenciosas, tornou-se um cenário lamentável, quase um personagem trágico que nas paredes descascadas a história do abandono.
Os banheiros, dizem, são impossíveis de usar, simplesmente por falta de condições humanas. E justo ali, no momento em que a vida pede mais cuidado, mais acolhimento, mais dignidade. Tornou-se um espaço onde a tristeza divide lugar com a indignação.
Neste domingo, dia 16, foram sete óbitos. Sete famílias que precisaram passar por dor e desconforto, o luto com a vergonha alheia de ver um serviço público reduzido a ruínas. Para alguns poucos, ainda existe a alternativa da Funerária Cristo Rei, um porto mais confortável, desde que o bolso permita. Mas e para os outros?
O mais curioso, e talvez o mais cruel, é saber que o novo velório está ali, praticamente pronto. Falta apenas o piso da entrada. Apenas concreto. Tão pouco, e ainda assim, não se faz nada. Porque às vezes a diferença entre a dignidade e o descaso cabe exatamente nisso: num piso que falta.

As salas estão terminadas, e mesmo que tivesse inacabado, seria infinitamente melhor do que o que existe hoje — um escombro que insiste em ser utilizado por falta de opção, não de alternativa.
Encerro com uma súplica:
Senhor prefeito, coloque na sua lista de prioridades entregar o velório novo para a população. Faça o piso e deixe as pessoas usarem. Nada é pior do que o velório atual. E Taquaritinga merece mais — muito mais — do que despedidas em meio a ruínas.
O NOVO PROJETO






