Sinal de Alerta Vermelho
Por Fran Nascimento
Numa cidade onde o maior empregador é a prefeitura — seguida pelo comércio e pelos prestadores de serviços — o sinal de alerta vermelho está ligado. Sabemos que, há tempos, a prefeitura enfrenta dificuldades financeiras, atrasando o pagamento de funcionários da ativa, aposentados, fornecedores e entidades filantrópicas. Também sabemos que o cenário econômico no país está estagnado.

Voltando a Taquaritinga, uma cidade que, há anos e décadas, não possui uma política eficaz de atração de empresas de médio e grande porte para geração de empregos, a situação financeira se agrava. Hoje já não temos mais uma agricultura manual, como em décadas passadas. Muitas colheitas foram mecanizadas — cana-de-açúcar, amendoim, laranja e limão — e, com isso, grandes e médios agricultores contratam menos. Sem contar que muitos produtores retiraram diversas culturas para arrendar terras às usinas, evitando custos com funcionários e possíveis processos trabalhistas.
O que restou foi o comércio e a prestação de serviços. Há algumas semanas, os jornalistas Auro Ferreira e Marco Bonilla mostraram em reportagens a quantidade de imóveis fechados, principalmente na área central. Alguns são imóveis antigos, sem condições sanitárias ou de segurança. Já os imóveis novos, dentro das normas, têm aluguéis altíssimos, além das exigências de fiadores e aluguel antecipado. Para piorar, o sistema de área azul mais atrapalha do que ajuda os comerciantes.



Agora, o alerta chega também ao setor de prestação de serviços. Pedreiros, pintores, eletricistas, mecânicos e outros profissionais percebem uma forte queda na procura. Materiais como tijolos, ferro, cimento, fios, tomadas, torneiras, tintas e acabamentos estão cada vez mais caros, dificultando a conclusão de obras. Nesta época do ano, quando muitas famílias querem deixar a casa pronta para as festas de fim de ano, não conseguem realizar melhorias — o que trava ainda mais a circulação de dinheiro no comércio local.
Para agravar, está previsto um aumento de 6% no IPTU, além de reajustes nos alvarás, IPVA, luz e água. O ano de 2026 terá muitos feriados, Copa do Mundo e eleições federais — um cenário que tende a ser parado e com poucos investimentos. Taquaritinga sentirá dificuldades em várias áreas, desde o comércio até a prestação de serviços.
A atual gestão não demonstra capacidade de sair do conforto do gabinete para buscar indústrias ou geradores de emprego. Os vereadores, por sua vez, parecem mais preocupados em gravar vídeos sobre buracos e praças sujas do que em unir forças com o prefeito para atrair empresas, gerar empregos e fortalecer a renda local.
O Sinal Vermelho está ligado. Só não vê quem não quer.

