CPI expõe irregularidades nos repasses aos convênios superiores a R$ 300 mil na AFPM de Taquaritinga
Vereadoras revelam, em entrevista ao programa Microfone Aberto, graves irregularidades, presidência ilegal há mais de uma década e repasses da prefeitura que não chegaram a convênios como Santa Casa, Unimed e Uniodonto

A entrevista concedida pela comissão da CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito da Associação dos Funcionários Públicos Municipais ao programa “Microfone Aberto”, da Rádio Massa FM, comandado pelo jornalista Auro Ferreira, trouxe à tona um dos mais graves escândalos envolvendo o funcionalismo público de Taquaritinga.
Os vereadores Lívia Zuppani (MDB), Meire Mazzini (PL) e Miriam Ponzio (PT) relataram, com base na investigação em andamento, que a associação acumula mais de uma década de irregularidades estatutárias, ausência de eleições válidas, documentos inconsistentes e, sobretudo, irregularidades nos repasses dos convênios que ultrapassam R$ 300 mil, valores descontados diretamente da folha salarial dos servidores.



Presidência irregular desde 2009
Segundo a comissão, o último presidente de fato eleito foi Cesar Augusto de Lima Gomes, conhecido como Cezão, ainda registrado oficialmente como presidente da associação, apesar de afastado há anos. Depois dele, quem assumiu informalmente foi Hércules Boschini, que permaneceu por mais de 11 anos sem registro legal, mas executando funções administrativas.


Mesmo sem respaldo jurídico, a entidade seguia operando — o que, de acordo com as vereadoras, levou muitos servidores a acreditarem que estava tudo em ordem.

Em uma eleição considerada “malfeita, apressada e sem transparência” elegeu André Apis em segundo lugar e, como a candidata vecedora não cumpriu com os requisitos necessários, tomou posse oficialmente, mas não está regularizado e não possui legitimidade para assinar qualquer documento como presidente.
Mais de R$ 300 mil desviados de repasses destinados a convênios
A denúncia mais grave apresentada pela CPI diz respeito ao destino dos valores descontados mensalmente dos salários dos servidores para pagamento de convênios como: Unimed; Uniodonto e Santa Casa de Taquaritinga.

Segundo o levantamento, os repasses não foram realizados, deixando dezenas de servidores sem cobertura médica. Alguns tiveram de pagar duas vezes, do próprio bolso, para não perder o plano — situação crítica especialmente para servidores idosos, cujo custo de um novo plano ultrapassaria R$ 2 mil mensais. A CPI calcula que o valor total não repassado supere R$ 300 mil, somando repasses municipais e do IPREMT.
Cheques descontados em lotéricas, contas pessoais e carimbos irregulares
Os vereadores informaram que a comissão descobriu: cheques da associação descontados em lotéricas da cidade; outros cheques levados à Caixa, ainda aguardando retorno oficial; uso de carimbo antigo da Associação Comercial, sem validade; assinaturas atribuídas a André Apis, que legalmente não poderia assinar nada; inexistência de conta bancária ativa da associação — um dos pontos mais graves.
Pagamentos teriam sido feitos via:
- contas pessoais,
- PIX para terceiros,
- boletos que não chegavam à Unimed ou demais credores.
Santa Casa procurou a CPI espontaneamente
A Santa Casa de Taquaritinga foi a primeira instituição a procurar a comissão por iniciativa própria, levando documentos que comprovam a falta de repasses e comprovantes falsamente apresentados pela associação.
Mais de 300 páginas de documentos e 200 assinaturas reunidas
A CPI já reúne:
- 300 páginas de documentos, extratos e atas,
- 200 assinaturas de servidores solicitando regularização e responsabilização,
- notificações bancárias aguardando retorno oficial,
- oitivas com ex-presidentes, comissão eleitoral e entidades credoras.
As investigações devem ser concluídas em até 120 dias, quando tudo será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre eventuais ações civis e criminais.
Conclusão
A entrevista revelou um cenário de colapso administrativo, suspeita de crime contra o patrimônio dos servidores, fragilidade documental e prejuízos diretos à saúde dos funcionários públicos.
A CPI segue apurando responsabilidades e deve recomendar, ao final, regularização completa da associação, nova eleição válida e encaminhamento judicial contra eventuais envolvidos nas irregularidades.

