MUNDO MULTINODAL

O sistema global contemporâneo está fragmentado, com múltiplos “nós” de influência, novos centros de poder, em contraponto aos sistemas unipolar (supremacia dos EUA, pós-Guerra Fria) ou bipolar (ascensão da China no séc. 21).
Ao Ocidente Coletivo (EUA, União Europeia, G7), se apresentam importantes grupos/blocos de nações. Destacamos os principais do Sul Global, em ordem de antiguidade:
Liga dos Estados Árabes – Liga Árabe

Fundada em 1945, são 22 países-membros, entre eles Arábia Saudita, Egito, Iêmen, Iraque, Líbano, Síria, Jordânia, Líbia, Argélia e Palestina; além de países-observadores, como Brasil, Índia e Venezuela. Criada para proteger a integridade dos Estados-membros no pós-2.ª Guerra, busca reforçar laços socioeconômicos, políticos e culturais e mediar disputas de países rivais/adversários (como Arábia Saudita e Iêmen). Totaliza 450 milhões de habitantes, e começou apresentar certa unidade na defesa da Palestina contra o genocídio praticado por Israel, a partir de 2023.
Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN

Fundada em 1967, composta por 11 membros-plenos, entre eles Tailândia, Filipinas, Malásia, Singapura, Indonésia, Vietnã e Timor-Leste, além do membro-observador Papua-Nova Guiné. A organização visa à integração socioeconômica, política, de segurança e cultural, entre os membros e outros países da Ásia. Em 2010, estabeleceu área de livre-comércio com China e Índia, se tornando a maior área do tipo em população, e terceira em volume de negócios do mundo.
Mercado Comum do Sul – MERCOSUL

Fundado em 1991 por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai (a Bolívia, aceita em 2024, deverá ser incorporada até 2028; a Venezuela está suspensa). São países-associados Chile, Colômbia, Peru, Equador, Guiana, Panamá e Suriname.
Zona de livre-comércio, com livre circulação de bens, serviços e pessoas; integração comercial, agrícola, industrial, monetária e cambial. Com área de 14,8 milhões de km² e população de 295 milhões de habitantes, é a 5.ª maior economia do mundo.
Organização para Cooperação de Xangai – OCX

Fundada em 2001, são 10 membros-plenos, incluindo China, Rússia, Índia, Paquistão e Irã; dois observadores, Afeganistão e Mongólia; e 09 parceiros-de-diálogo, como Arábia Saudita, Turquia, Egito, Emirados Árabes, Nepal e Sri Lanka; e o país-convidado Turcomenistão.
A finalidade é traçar estratégia comum de segurança contra terrorismo/extremismo, cooperação em política, comércio, ciência/tecnologia, cultura e energia. Maior organização regional do planeta, com ¼ da área e metade da população mundiais e cerca de 40% do PIB global.
União Africana – UA

Fundada em 2002, composta por 55 nações, de todas as regiões do Continente, como Argélia e Líbia (Norte), Nigéria e Senegal (Oeste), Somália e Eritreia (Leste), Angola e República Democrática do Congo (Centro), África do Sul e Madagascar (Sul). Os países Burquina Fasso, Guiné, Mali, Sudão e Gabão estão suspensos por sofrerem golpes militares. São membros-observadores Turquia, Israel, Cazaquistão e México. Com cerca de 1,3 bilhão de pessoas e 29 milhões de km² de área, o desafio é mediar guerras/conflitos e promover a democracia e o desenvolvimento econômico.
BRICS

Fundado em 2006 por Brasil, Rússia, Índia e China – a África do Sul se juntou em 2010. Se expandiu, em 2025, com os membros-plenos Egito, Indonésia, Emirados Árabes, Etiópia e Irã (em 2023, o presidente eleito da Argentina, Javier Milei, anunciou a desistência de participar do grupo; em 2024, a Arábia Saudita suspendeu o pedido de ingresso, para análise).
São países-parceiros Nigéria, Malásia, Tailândia, Vietnã, Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Uganda e Uzbequistão. A aliança comporta 48% da população mundial, 39% do PIB global, 23% do comércio internacional e 70% das terras raras do planeta, e vem ganhando influência geopolítica, através da cooperação econômica, desenvolvimento sustentável e combate à miséria.

Vale citar a Comunidade do Caribe – CARICOM, fundada em 1975, integrando 13 pequenos países da América Central, como Bahamas, Jamaica, Belize, Trinidad e Tobago, Santa Lúcia e Haiti, e 02 da América do Sul, Guiana e Suriname; além de 05 territórios-associados, como Bermudas e Ilhas Cayman; e 08 membros-observadores, entre eles México, Colômbia, Venezuela, Porto Rico e República Dominicana. Formada por ex-colônias europeias para acelerar o desenvolvimento econômico e coordenar política agroindustrial comum; com população de 15 milhões de habitantes, recebe igual número de turistas por ano.
Por fim, ainda existe a Comunidade dos Estados Independentes – CEI, criada em 1991, no fim da Guerra Fria e na dissolução da União Soviética (URSS), por países que se tornaram independentes, liderados pela Rússia, no intuito de manter acordos políticos, econômicos e de defesa. Fazem parte, além da Rússia, a Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Moldávia, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão. A Ucrânia, membro-fundador, se afastou da organização em 2014, após a anexação da região da Crimeia pela Rússia, que originou o conflito ainda em curso. Hoje, a CEI é vista como uma “associação secundária” e seu futuro é incerto.
(Com: sites oficiais das organizações e agências de notícias).

