Quando o Erro se Recusa a Pedir Desculpas

A repercussão de uma frase infeliz que foi da crítica construtiva à hostilidade gratuita em poucos passos

palavras que nascem tortas. E há e que, mesmo avisadas, insistem em permanecer exatamente onde não deveriam estar — criando ruídos, desconfortos.

O episódio começou como tantos outros na vida pública: um vídeo e uma opinião mal colocada, uma frase infeliz que tenta ganhar força pela internet: “…principalmente mulheres que não têm tanta habilidade ao volante”, disse o vereador Baixinho do Posto, do partido NOVO.

Do outro lado, alguém com mais estrada na política decidiu estender a mão. Não foi ataque, nem afronta: apenas um aviso. Um conselho simples, quase paternal: cuidado com as palavras. Mas o silêncio foi a resposta.

Entra em cena o vereador Gabriel Belarmino, convocado como mensageiro da prudência. Porém, ao contrário do esperado, o conselho virou ofensa, o gesto virou motivo de ataque. O colega só queria ajudar.

É triste quando alguém que poderia simplesmente reconhecer o erro decide empilhar palavras ainda mais pesadas. A cada justificativa, mais confusão. A cada novo vídeo, mais distância do bom senso.

Do lado de cá, fica o lamento. Como jornalista sempre ouço os dois lados e é o que tentei fazer. O jornal, que tantas vezes destacou seus feitos, agora se vê obrigado a esclarecer o óbvio: a crítica não era inimiga; era aviso. A palavra não era arma; era cuidado.

No fim, resta apenas o desejo simples — quase ingênuo — de que as próximas palavras sejam mais cuidadosas, mais humanas, menos inflamadas. Porque, no trânsito da vida pública, habilidade com as palavras, evitam colisões maiores.