A Cidade que Esqueceu de Amar as Árvores
Um retrato das escolhas que revelam prioridades públicas

Na Rua Tiradentes, as árvores nunca atrapalharam ninguém. Pelo menos, era o que se pensava. Um dia, porém, decidiu-se que as árvores eram culpadas. Culpadas pela calçada danificada, culpadas pelo risco às crianças, culpadas por existirem onde sempre estiveram.
E, com autorização da prefeitura, foram todas extirpadas. Sem a chance de que alguém ao menos tentasse consertar a calçada em vez de arrancá-las.
Outras cidades, como Curitiba e Porto Alegre — tratam as árvores como patrimônio, não como obstáculo. Por lá, jamais seria dada a permissão para transformá-las em lembrança por causa de uma calçada cansada.

Mas Taquaritinga, ah, Taquaritinga – parece não compartilhar do mesmo afeto.
As crianças, que sempre passaram por ali, continuarão passando. Só que agora sem sombra, sem passarinhos, sem a velha companhia silenciosa que fazia a rua um pouco mais viva.
Na Praça Dr. Horácio Ramalho, anos atrás, outras árvores também tombaram — não pelo tempo, mas por decisão política. E o secretário? Coincidência ou não, era o mesmo.
No fim, fica a impressão de que, para alguns governos, árvores são como móveis incômodos: se atrapalham, removem-se. Mas, para quem caminha a pé, para quem procura sombra, para quem entende que a vida urbana também depende do verde, sabe que não é assim.
As árvores da Rua Tiradentes não caminhavam. Talvez por isso tenham sido condenadas justamente por estar onde sempre estiveram: firmes, silenciosas e vivas.

