Quando o Dinheiro Não Chega

Entre a boa vontade política e os limites da administração pública

Há quem acredite, com convicção, que todo recurso que não chega é culpa do deputado. É uma narrativa confortável, quase automática. Mas a realidade, costuma ser bem mais complexa.

As emendas vêm, sim. Deputados como Baleia Rossi e outros, ajudam, acompanham, insistem. Existe vontade política, existe empenho. O problema é que nem sempre querer é o mesmo que poder. E é aí que a história muda de tom.

Até pouco tempo atrás, por exemplo, a prefeitura de Taquaritinga estava inscrita no CADIN e no CAUC. Dois cadastros que funcionam como um sinal vermelho na busca de recursos públicos. Quando o município deixa de cumprir obrigações básicas — pagamentos atrasados, pendências fiscais, falta de regularidade administrativa, perde o direito de receber boa parte dos repasses estaduais e federais.

Nesse cenário, o deputado vira quase um espectador angustiado. O recurso até existe, está previsto, separado, esperando apenas um destino. Mas ele não pode ser indicado. Se o município estiver inadimplente, o dinheiro é bloqueado ou, pior, perdido.

Por isso, é fundamental dizer com todas as letras: a culpa nem sempre é do Legislativo. Muitas vezes, o entrave está no Executivo municipal, que falha em honrar compromissos com os governos estadual e federal. Por vezes, deixar de receber recursos por incompetência administrativa não é azar — é irresponsabilidade.

Os deputados seguem fazendo sua parte. Enviam recursos, acompanham sistemas, vigiam prazos. Vivem nesse vai-e-vem delicado em que o município ora está adimplente, ora não.

No fim das contas, a lição é simples, embora nem sempre aceita: sem organização, não há repasse. Antes de cobrar de Brasília ou de São Paulo, é preciso arrumar a casa. Porque política ajuda, mas boa administração é o mínimo.