Fogos ilegais e sofrimento animal: um problema que se repete todo fim de ano
Municípios como Taquaritinga possuem lei específica, criada por Genésio Valencio, Juninho Previdelli e Wadinho Peretti, porém sem efetiva fiscalização



As festas de Natal e Réveillon, tradicionalmente associadas à alegria, confraternização e celebrações, também marcam um dos períodos de maior sofrimento para os cães. O uso de fogos de artifício com estampido, apesar de amplamente questionado por especialistas e protetores de animais, continua sendo uma prática recorrente, inclusive em municípios onde a legislação proíbe expressamente esse tipo de artefato.


Em Taquaritinga, está em vigor desde 2020 a Lei Municipal nº 4.705, que proíbe o manuseio, a utilização, a queima e a soltura de fogos de artifício com estouro e estampido em todo o território do município, tanto em áreas públicas quanto privadas. A norma é de autoria dos vereadores Genésio Aparecido Valencio, Wadinho Peretti e Juninho Previdelli, e prevê multa ao infrator, com valor dobrado em caso de reincidência.
Apesar disso, na prática, a lei nem sempre é cumprida. A cada final de ano, moradores relatam a repetição de explosões sonoras, evidenciando a fragilidade da fiscalização por parte do poder público municipal.

Impactos graves na saúde dos animais
Para os cães, que possuem audição muito mais sensível do que a humana, o barulho intenso representa uma ameaça real. O som dos fogos pode provocar estresse extremo, taquicardia, tremores, crises de pânico e comportamentos de fuga. Em desespero, muitos animais rompem cercas, fogem de casa, se jogam de muros ou janelas e acabam atropelados ou desaparecidos.


Veterinários alertam que o impacto não é apenas momentâneo. O estresse intenso pode desencadear problemas cardíacos, distúrbios gastrointestinais e até levar à morte, especialmente em cães idosos ou com doenças pré-existentes.
Lei existe, mas precisa sair do papel
A legislação municipal permite apenas os chamados “fogos de vista”, que produzem efeitos visuais sem estampido ou com ruído de baixa intensidade. Ainda assim, o desrespeito à norma se mantém como um desafio, revelando a necessidade de ações mais efetivas de conscientização, além de fiscalização rigorosa e resposta rápida às denúncias.

Especialistas e defensores da causa animal reforçam que respeitar a lei é também um ato de empatia. Celebrar não precisa significar causar dor. Para milhares de cães, o fim do ano poderia ser sinônimo de tranquilidade, e não de medo — desde que as regras existentes sejam, de fato, cumpridas.


