“Ano novo, novas sementes”
Por: Ana Lúcia Santaella Aiello – advogada e pedagoga
O novo ano se aproxima e não se anuncia como um número em sequência – 2.026 se apresenta como um chamado pedindo escolha e direção.
Chega com a simplicidade exigente do número 1: ponto de partida, traço inicial, o instante em que a intenção antecede o gesto.
É um ano que convida ao começo sem vaidade. Não propõe rompimento, mas um alinhamento tênue entre desejo e ação. O que se plantar não precisará de pressa nem de espectadores, bastando a verdade na escolha das sementes.

O ano de 2.026 também carrega a figura do cavalo, símbolo de força que não oprime e de movimento que respeita o ritmo do caminho. Animal de olhos atentos, onde repousam a mansidão, a entrega e uma antiga cumplicidade com o humano. Presença que sustenta, conduz, cura, compete e atravessa, sem jamais perder a dignidade do passo.
Não será um ano de dispersão e sim de direção. Um convite oculto para avançar com inteireza, sabendo que todo início legítimo pede coragem que não vacila e responsabilidade pelo próprio trajeto.
Chegará com o rumor delicado da esperança, aninhada no coração de quem ousa renovar o olhar naquele instante sutil em que a alma percebe que está pronta para germinar de novo.
É um ano que nos convida a escutar os próprios sonhos, acolher as pequenas coragens cotidianas, celebrar o pequeno que sustenta os grandes movimentos.
O ano pede mãos abertas, prontas para plantar e olhos maduros, capazes de reconhecer a beleza do processo, mesmo nos dias mais incertos.
E o mundo continuará a girar nos compassos intensos de sempre; mas 2.026 adverte que cada escolha será um pacto sutil com a própria história.
Se fará caminho, convite e promessa – tudo ao mesmo tempo, na justa medida do que é essencial.
Que os pés encontrem sentido no percurso, que o coração se oriente pelo que é verdadeiro e que cada novo dia seja vivido com a dignidade serena de quem sabe que a partida é, por si só, um destino.
A cada passo, nos lembremos: o novo não se impõe, espera ação.
Desejo é rascunho. A ação é obra!

