O Que não deveria ser normal

Mortes precoces: um padrão silencioso que insiste em ser notado

algo estranho acontecendo, e não é coisa que se ignore com facilidade. Não veio em forma de alarde, veio em números, frios à primeira vista, mas profundamente humanos quando olhados de perto.

No mês de dezembro, ao observar registros de apenas uma funerária, notei um fato que causou espanto: mais de vinte mortes de pessoas com menos de 70 anos. Muitas delas estavam entre 45 e 65 anos, idades que ainda carregam planos. Tudo isso em um único mês, em um único lugar.

Não é comum. Pelo menos, não era. Pelo que sei, em nossa cidade, esse tipo de ocorrência não fazia parte da regularidade. Por isso, passou a soar como alerta. Um alerta silencioso, mas persistente, que insiste em perguntar: por quê?

As autoridades da saúde precisam olhar para isso com o mesmo estranhamento que senti. É necessário investigar, avaliar, mapear. Quais são as causas dessas mortes? Existe um perfil? Quais doenças predominam? Conhecer esses dados não é curiosidade, é prevenção.

Talvez outras pessoas também tenham percebido. Talvez tenham sentido o mesmo incômodo, ainda que sem palavras. Porque quando a vida encurta de forma tão repetida, já não é apenas estatística, é um sinal.

Conhecer as causas pode significar evitar novas perdas. E se houver algo que possamos fazer antes que o próximo número seja somado, então esse olhar atento já terá valido a pena.