O Brasil acorda para o autismo: 2,4 milhões de diagnósticos, mas um país ainda despreparado

Com 1 em cada 38 crianças no espectro, o desafio é transformar estatísticas oficiais em políticas públicas efetivas de inclusão

Dados inéditos revelam a dimensão do TEA

O Brasil passou a enxergar com mais nitidez a realidade do transtorno do espectro do autismo (TEA) após a divulgação do Censo Demográfico 2022, que apontou 2,4 milhões de brasileiros com diagnóstico declarado de autismo. O número representa 1,2% da população com dois anos ou mais e marca um avanço histórico para a formulação de políticas públicas.

Especialistas alertam que os dados são autodeclarados e não exigiram comprovação por laudo médico, o que indica que o total de pessoas autistas no país pode ser ainda maior.

Infância concentra os diagnósticos

A maior incidência aparece entre crianças de 5 a 9 anos, faixa etária em que 1 em cada 38 já recebeu diagnóstico. Os números são mais elevados entre meninos, tendência observada também em estudos internacionais. O aumento dos registros reflete maior conscientização, critérios diagnósticos mais amplos e o reconhecimento do autismo como um espectro, e não como uma condição única.

Diagnóstico precoce ainda é um desafio

Apesar dos avanços, o diagnóstico precoce continua sendo um obstáculo no Brasil. A avaliação envolve equipes multidisciplinares e acesso a especialistas, realidade distante de muitas famílias, principalmente fora dos grandes centros urbanos. A pandemia da Covid-19 agravou esse cenário, atrasando avaliações e intervenções essenciais.

Leis existem, mas a inclusão ainda falha

A Lei Berenice Piana, em vigor desde 2012, garante direitos à saúde, educação e inclusão social, ao reconhecer a pessoa autista como pessoa com deficiência. No entanto, dificuldades na implementação fazem com que famílias ainda enfrentem filas no SUS, escassez de profissionais e barreiras na escola.

Avanços médicos e iniciativas de inclusão

A adoção da CID-11, prevista para 2027, deve melhorar a padronização dos diagnósticos e alinhar o Brasil às práticas internacionais. Enquanto isso, ações locais apontam caminhos possíveis, como a instalação de espaços sensorialmente adaptados em eventos públicos, a exemplo do que ocorreu em Gramado (RS), permitindo maior participação de pessoas autistas.

Mais que números, um compromisso social

Os dados do Censo representam um marco, mas reforçam um desafio urgente: transformar estatísticas em ações concretas. Reconhecer o autismo é apenas o primeiro passo; garantir acesso a diagnóstico, tratamento e inclusão ao longo da vida é o compromisso que o Brasil ainda precisa cumprir.

Fontes: Google; Mundo Asperger; Dra. Déborah Kerches; Canal Autismo; G1;TVT News; Amor Maior Autismo