A QUEDA DE NICOLAS MADURO

Em outubro, publiquei o texto intitulado “Brasil e Venezuela: complexa diplomacia”, com as seguintes ponderações (em resumo):

A Constituição Brasileira diz que as relações internacionais seguem os princípios dos direitos humanos e solução pacífica dos conflitos; o Itamaraty é reconhecido por sua excelência, pacificou todas as disputas territoriais, desde 1855; em 1998, o presidente FHC intermediou acordo de paz Equador-Peru, evitando uma guerra; em 2007, Lula foi duro numa crise com a Bolívia (em torno da Petrobras e da YPFB) e evitou a deposição do então presidente Evo Morales.

Brasil e Venezuela têm históricas relações, Lula e Hugo Chávez comemoraram que os países “nunca estiveram tão próximos”. Ao assumir o terceiro mandato, Lula revogou portaria do ex-presidente Bolsonaro que proibia a entrada de Maduro no Brasil. Mas a reeleição do venezuelano causou uma fissura, a ONU e a OEA apontaram violações no processo eleitoral, o Brasil se juntou a Chile, Colômbia, Peru e Equador para cobrar transparência. Maduro ameaçou “um banho de sangue” se perdesse a eleição; Lula se pronunciou “preocupado”; Maduro ironizou: “Quem se assustou, tome chá de camomila” – Lula não gostou, “enquadrou” Maduro e vetou a entrada da Venezuela nos BRICS.

Trump ameaçou militarmente o regime de Maduro, que ofereceu petróleo e minérios raros aos EUA para apaziguar. Trump não se sensibilizou. Em seguida, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, venceu o Nobel da Paz, aumentando a pressão. No artigo, mencionei que, no telefonema que recebeu de Trump (06/10/2025), Lula defendeu a “saída pacífica” para crise e pediu diálogo. Encerrei dizendo que não seria surpresa se o Itamaraty atuasse como mediador, mas a iniciativa teria que partir de Maduro, que tomasse “chá de camomila”, se desculpasse com Lula e torcesse para que a “química” que rolou com Trump fosse suficiente para a paz.

Passados três meses, agentes do “Delta Force” (forças especiais do exército americano) tomaram de assalto a residência oficial do presidente Maduro e o levaram, junto com sua esposa, Cilia Flores, como “prisioneiros”. A inépcia de Maduro, inclusive por “desdenhar” do presidente brasileiro, foi uma atitude tão arrogante quanto desastrosa. Trump, por sua vez, se portou como autocrata, um ditador, agiu sem autorização do Congresso, violando a lei de seu país e o Direito Internacional.

Abriu-se um perigoso precedente: Putin estaria instigado a mandar as “Spetsnaz” (forças especiais russas) invadirem Kiev e prender Zelenski? Xi Jinping ordenaria às “SOF” (forças especiais do exército chinês) ocuparem Taipei, capital de Taiwan?

Quem governará a Venezuela? Quem controlará Donald Trump?

Reprodução/Truth Social