Quem disse que o que já era ruim, não poderia piorar?

Quando você pensa que já chegou ao fundo do poço, surpresa: sempre é possível piorar. Normatizar sem prazo é a receita perfeita para o desemprego e a quebradeira

Taquaritinga, cidade que vive à beira da falência, acordou com mais uma surpresa desagradável. De supetão, a prefeitura resolveu normatizar o que sempre existiu. Talvez não da forma ideal, talvez até torta, mas que ajudava empresas a sobreviverem, e trabalhadores a garantirem o pão de cada dia.

A partir de agora. Assim, seco, sem anestesia. Bares e restaurantes estão proibidos de oferecer música ao vivo. As calçadas, antes extensão da convivência, não podem mais ter mesas, cadeiras ou tambores. Mas onde ficou o diálogo? Por que não pensaram em sentar à mesa com comerciantes e músicos e, juntos, buscar uma solução possível? Onde ficou o prazo de adaptação?

Não se trata de ignorar regras, nem de desmerecer as exigências do Corpo de Bombeiros. Segurança é coisa séria. Mas também é sério entender que cidades são feitas de pessoas, não apenas de carimbos. Normatizar sem prazo de adaptação e sem diálogo, é lamentável.

O efeito é previsível: o desemprego aumenta, empresas fecham. Em uma cidade que clama por incentivo, escolhe-se o desestímulo. Em vez de empurrar para frente, puxa-se para trás.

Há algo de profundamente contraditório quando o poder público, que deveria ser ponte, vira obstáculo. Quando quem deveria ajudar parece atrapalhar. São decisões apressadas, desconectadas da realidade de quem vive do outro lado do balcão.

Fica um gosto amargo, desses que nem a música ao vivo — agora proibida — conseguiria disfarçar. É lamentável. Não apenas pela medida em si, mas pelo símbolo que ela carrega: o de uma cidade onde quem deveria ajudar parece, cada vez mais, atrapalhar.