Quando o dinheiro público vira ruína: obra herdada, responsabilidade esquecida

Casa da Juventude deveria estar pronta em 2024, mas permanece abandonada após consumir quase R$ 800 mil

Uma obra que deveria ter sido concluída em 2024, com potencial para atender jovens e toda a população, segue abandonada em Taquaritinga. A Casa da Juventude, construída com recursos públicos estaduais e municipais, está quase pronta, mas permanece sem o acabamento, deteriorando-se com o tempo e simbolizando mais um descaso com o dinheiro público.

O projeto teve início durante a gestão municipal anterior, por meio da Tomada de Preços nº 001/2022, que resultou no Contrato nº 002/2022, firmado entre a Prefeitura de Taquaritinga e a empresa K&G Construtora Garcia LTDA EPP. O objetivo era claro: a construção da Casa da Juventude, vinculada ao Convênio Estadual nº 101384/2021, celebrado com o Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria de Desenvolvimento Regional.

Prazo estourado e silêncio oficial

De acordo com o contrato, a obra deveria ser executada em três etapas, cada uma com duração de 240 dias, totalizando um prazo máximo de 720 dias para conclusão — o equivalente a dois anos. O valor total do contrato foi fixado em R$ 787.629,23, pagos conforme medições mensais.

Espaço poderia atender outras necessidades do município

Além de ter sido planejada para ações voltadas à juventude, a Casa da Juventude poderia hoje cumprir outras funções de interesse público. Um exemplo citado por moradores é a possibilidade de abrigar a Farmácia Municipal, que atualmente funciona em um imóvel alugado, gerando gastos mensais aos cofres públicos.

Desperdício de recursos e falta de planejamento

Enquanto isso, o prédio segue se deteriorando, exposto às ações do tempo, o que pode resultar em novos custos de recuperação no futuro. A situação levanta questionamentos sobre planejamento, continuidade administrativa e responsabilidade na aplicação do dinheiro público.

A Casa da Juventude, que deveria ser símbolo de investimento social, hoje se tornou um retrato do abandono, da falta de prioridade e da ausência de transparência. A população aguarda respostas: quem é o responsável, quanto já foi pago, o que falta para concluir e, principalmente, quando o espaço finalmente será utilizado.

Até lá, a obra segue ali — quase pronta, aguardando o prefeito que irá acabar.