2026 – ANO CRUCIAL NA GEOPOLÍTICA
O ano trará desafios nas relações internacionais, sobretudo no posicionamento de China e EUA.

A Casa Branca divulgou a “Nova Estratégia de Segurança”, repleta de obscuridades, que indica o reforço do America First (Estados Unidos Primeiro), em síntese: afastamento da OTAN e da defesa da Europa (mencionada como “continente em declínio econômico”); controle do Hemisfério Ocidental, do Canadá (e Groenlândia) à Argentina, uma revisitação da Doutrina Monroe do séc. 19 (América para os americanos), limitando a influência de China e Rússia na região; equilíbrio comercial e superioridade militar com a China; uma espécie de “terceirização” à Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar nas responsabilidades junto a Israel e Irã no Oriente Médio; abandono das teses ambientais.

A China se consolidou a mais importante economia do mundo e poderá se equiparar a EUA e Rússia no poderio bélico; avançará no Cinturão e Rota (investimentos em infraestruturas de ferrovias, rodovias, portos) em 150 países, de todos os continentes (como os europeus Áustria e Portugal; os asiáticos Indonésia e Singapura; os africanos Nigéria e África do Sul; os latino-americanos Peru e Costa Rica etc.).
A Rússia estabeleceu a “parceria sem limites” com a China e está reconstruindo o diálogo com os EUA – tudo indica que irá impor seus interesses na Ucrânia.

A Índia é vista como o “país da vez”: nação mais populosa do mundo, potência nuclear, grande tecnologia, poderá deixar de ser “submissa” aos interesses americano e encontrar seu papel de interlocutora entre Ocidente e Sul Global (presidirá os BRICS em 2026).
A Europa está, digamos, “sem rumo”, vários analistas se dizem perplexos com a autossabotagem dos líderes da Alemanha, França, Reino Unido e União Europeia, cuja “russofobia” levou ao colapso energético do continente, que deixou de importar gás russo para comprar dos EUA, pelo triplo do preço. Não há perspectiva de mudança em 2026.

Os blocos BRICS e Organização para Cooperação de Xangai (OCX) seguirão na ruptura do mundo unipolar (domínio americano) ao modelo multipolar, e evitar uma “nova guerra fria” EUA-China.
E O BRASIL?
Os fatos confirmaram as análises de que o “alvo imediato” dos EUA é a Venezuela; no curto prazo, se voltarão à Groenlândia, Canadá e México. No médio/longo prazo, certamente, o foco será o Brasil; assim, teríamos tempo para construir uma estratégia geopolítica global, resta saber se teremos capacidade e condições políticas internas. A melhor opção seria manter a tradicional boa relação diplomática com os EUA e, ao mesmo tempo, sermos protagonistas nos BRICS, parceiros na OCX e líder regional no Mercosul ampliado.
A geopolítica é instável e imprevisível: o que acontecerá na Venezuela nos próximos meses? A China perderá a paciência com Taiwan? O que restará da Ucrânia? Israel e Irã voltarão à guerra?
A certeza é que 2026 será empolgante!
(Com informações e imagens: Wikipédia; Pepe Ecobar; BRICS; OCX; BBCBrasil; UOL e agências).

