O Novo Caos Social

Quando a promessa de ganho rápido se transforma em dívida, doença e silêncio

Há textos que não apenas informam — alertam. Foi assim com o artigo escrito, nesta semana, por Dimas Ramalho, que puxou o freio de mão de um assunto já fora de controle: o vício em jogos de apostas por aplicativos, as famosas bets.

O drama começa sempre do mesmo jeito. Um clique inocente, uma esperança improvável. No dia seguinte, a maré vira. Perde-se o que ganhou, perde-se o que tinha e, muitas vezes, perde-se o que nem existia. O resultado atende por um nome simples e cruel: endividamento.

É curioso — para não dizer contraditório, viver em um país onde o jogo do bicho é proibido, os cassinos são vetados, mesmo sendo capazes de gerar empregos e movimentar cidades turísticas, enquanto as apostas digitais circulam livremente, 24 horas por dia. Tudo legalizado, tudo colorido, tudo perigoso.

Já não bastassem os jogos da Caixa Federal, que historicamente alimentam o sonho de enriquecimento rápido, agora o brasileiro aposta também o salário, o aluguel, o mercado do mês. A linha entre o lazer e a dependência ficou invisível.

Como bem pontuou Dimas Ramalho, o custo social é alto. O governo paga a conta nos hospitais, nos tratamentos psiquiátricos, nos afastamentos do trabalho. As apostas quase não geram empregos, mas produzem algo em excesso: doença emocional, desespero e um alarmante aumento no índice de suicídios.

Enquanto isso, o lobby dos poderosos atua nos bastidores para reduzir a taxação das empresas de apostas. Uma inversão perversa de lógica. Se produtos como o cigarro recebem impostos elevados para compensar os danos que causam, por que não fazer o mesmo com o jogo, que adoece, destrói famílias e consome vidas?

Foto: Gazeta do Povo