O CIMENTO OU O MATO?
Sem luz no fim do túnel: sem dinheiro, muito mato e ruas esburacadas

Que a situação financeira da cidade está crítica, todo mundo sabe. O que poucos admitem é que ela ainda pode piorar. Basta andar pelas ruas: buracos em quase todas, mato nos canteiros centrais e nos próprios públicos. Estamos, claramente, sem zeladoria.
Quanto aos buracos, são tantos que não tenho esperança de ver a situação resolvida. Não haverá dinheiro suficiente para recapear toda a cidade — e tapa-buraco já não adianta mais. Quando algum recurso entra, sai pelos precatórios e, do que sobra, a prioridade precisa ser a compra de remédios.
Os canteiros centrais, por sua vez, viraram um verdadeiro matagal. Em algumas avenidas, o crescimento é tanto que impede o motorista de enxergar se vem carro no sentido contrário. E a tendência é piorar, afinal estamos em época de chuvas constantes.
No governo passado, Vanderlei Mársico teve uma ideia simples: acimentar os canteiros. Sem manutenção, sem corte, sem custo permanente. Foi criticado. Ainda assim, colocou o plano em prática na rodovia Horácio Ramalho, caminho do Tênis Park. Ali, onde houve duplicação, o cimento venceu o mato.
Hoje, olhando com mais lucidez, fica difícil negar: ele tinha razão. Aquele é praticamente o único trecho onde o mato não reina. Do outro lado da mesma rodovia, onde deveria haver calçada, há apenas abandono verde.
Se não há condições nem de cortar o mato, que se acimente tudo. Resolve-se, ao menos, o problema imediato. Quem sabe, um dia, quando a situação financeira permitir, o cimento dê lugar às flores e os canteiros se transformem em um jardim de verdade.
Até lá, resta admitir, mesmo que tardiamente: Vanderlei estava certo.
