Nostra Italia

A Itália, junto à Grécia, é o pilar da Civilização Ocidental. Roma já dominou o mundo, entre grandes imperadores, como Trajano (o Optimus Princeps, “melhor governante”) e Júlio César, e terríveis facínoras, como Calígula e Nero.

O “Bel Paese” (belo país) gerou gênios aos montes: Galileu, Da Vinci, Michelangelo etc., e tem estreitas relações com o Brasil.

Na contemporaneidade, a dicotomia política seguiu com grandes personagens, como Giuseppe Garibaldi (o “herói de dois mundos”) e Antonio Gramsci, e fascistas como Benito Mussolini e Silvio Berlusconi. No pós-2.ª Guerra, a Itália perdeu influência global, submetida aos interesses norte-americanos, que detêm o comando “de fato” da política interna, com rígida presença militar, com 15 mil soldados estadunidenses, espalhados em nove bases, algumas com armas nucleares, sob controle do Pentágono.

Na Guerra Fria, alguns governos buscaram uma autonomia, como o Democrata Cristão Aldo Moro, primeiro-ministro por duas vezes (anos 1960/70), assassinado em circunstâncias obscuras, numa ação terrorista atribuída ao grupo de extrema-esquerda Brigadas Vermelhas (que, na realidade, teria sido uma operação de “bandeira falsa” dos serviços de inteligência MI-6, inglês, e CIA, americano).

Desde 2022, a Itália é governada pela primeira-ministra Giorgia Meloni, do partido de direita Fratelli d’Italia – FdI (“Irmãos da Itália”, em tradução livre). A jornalista de 49 anos recusa a pecha de “extrema-direita” e mantém posições dúbias em temas internacionais: apoia o bloqueio de imigrantes, mas culpa o neocolonialismo europeu pela crise migratória; é leal à OTAN, mas critica intervenções militares, como na Líbia, e se diz cética à União Europeia.

Com a escalada da agressividade de Donald Trump, aparentemente começa a surgir, entre intelectuais e políticos italianos, de diferentes partidos e ideologias, a necessidade de reconduzir a nação ao papel histórico de liderança e deixar de ser coadjuvante (pra não dizer “vassala” dos EUA) na construção da nova ordem mundial.

Meloni está atenta a esse sentimento: garantiu o apoio da Itália ao acordo com o Mercosul (que se arrasta há 25 anos), cujos efeitos geoeconômicos são fundamentais para reduzir a dependência dos EUA; em seguida, ousou declarar que “chegou a hora da Europa falar com a Rússia”, com a nomeação de um “enviado especial da União Europeia” para conduzir a resolução do conflito na Ucrânia, posição que vai ao encontro das sinalizações das autoridades russas de abertura de conversas com a Europa, com apoio de Hungria e Eslováquia.

É cedo para saber se a determinação de Meloni de recolocar a Itália à frente dos caminhos diplomáticos terá sucesso; mas é um bom sinal na estratégica de se buscar um cenário geopolítico global multipolar, mais justo e pacífico.

(Com: Mundo Diplomático; G1; CNNBrasil e agências).