O Contrato que Não Existiu
Quando a informação oficial gera mais dúvidas do que respostas

Às vezes — ou melhor, muitas vezes, a vida pública se enrosca em embrólios que não precisariam existir. Bastaria um pouco mais de cuidado, uma conferência a mais, um olhar atento antes de apertar o botão de “publicar”.
Nesta semana, uma matéria do Jornal Opinião trouxe à tona alguns contratos de assessoria firmados pela prefeitura. A lista não era completa, mas já dava pistas de um cenário curioso: somados os contratos, o volume se tornava bastante expressivo. Entre eles, um chamou atenção: um contrato da Saúde, no valor de R$ 4.100 mil, destinado a diversos serviços.
O assunto ganhou eco quando atravessou as ondas do rádio, no programa Microfone Aberto. Tentativas de ouvir o prefeito não tiveram resposta, e a palavra acabou pousando no colo do secretário da Saúde. Foi aí que o novelo começou a se desenrolar — ou a se embolar ainda mais. Segundo ele, o contrato não chegou a ser firmado. Simples assim. Mas, então, surge a pergunta que não quer calar: se não existiu, por que aparecia no Portal da Transparência como contrato efetivado?
O secretário explicou que não é sua atribuição publicar contratos, e é verdade, deve haver um departamento e pessoas responsáveis por isso.
No fim das contas, o episódio ensina menos sobre contratos e mais sobre atenção. Porque tudo poderia ter sido evitado se aquilo que é colocado no portal fosse checado, conferido, confirmado. A transparência, quando falha, não apenas informa errado, ela cria dúvidas, ruídos e desconfianças.
E assim seguimos, aprendendo que, na administração pública, às vezes o maior problema não é o que se faz, mas o que se publica sem ter certeza.

