Feira da Agricultura Familiar corre risco e produtores cobram diálogo da Prefeitura

Presidente da associação denuncia dívidas desde 2022, atraso em pagamentos no atual governo e falta de abertura do prefeito para ouvir os pequenos produtores

A feira da Agricultura Familiar de Taquaritinga, realizada todas as terças e sábados na avenida Paulo Scandar, vive um momento de preocupação e incerteza. O alerta foi feito pela presidente da associação, Adriana Restani, durante entrevista ao Jornal Opinião, na qual ela expôs problemas financeiros, falta de apoio do poder público e ausência de diálogo com a atual administração municipal.

Segundo Adriana, a feira é hoje uma das principais fontes de renda para diversos produtores locais, chegando a superar, em apenas dois dias por semana, o faturamento obtido em meses de outros canais de venda. “Para nós, a feira é ótima, é onde a gente vende, onde escoa a produção. Tem produtor que vende 150 a 200 reais em verduras em cada edição”, destacou.

Abertura para novos segmentos

Apesar das dificuldades, a associação tem buscado alternativas para fortalecer a feira, como a abertura do espaço para outros segmentos, entre eles artesanato, embutidos artesanais, produtos variados e ações de saúde, iniciativas que, segundo Adriana, poderiam atrair mais público e tornar o evento ainda mais dinâmico.

“Estamos convidando outros produtores, artesãos e até comerciantes, porque tudo o que traz gente para a feira ajuda. A ideia é somar, não excluir”, afirmou. Ela ressalta que, no passado, havia muitas regras, o que afastava interessados, mas que hoje a associação tenta ser mais flexível para manter a feira viva.

Dívida antiga e novos atrasos

Prefeitura Municipal de Taquaritinga

Um dos pontos mais graves abordados na entrevista é a dívida da Prefeitura com a Agricultura Familiar, que se arrasta desde 2022. De acordo com a presidente, valores referentes aos anos de 2022, 2023 e 2024 não foram quitados corretamente, somando cerca de R$ 500 mil à associação. Já em 2025, no atual governo, ainda restam aproximadamente R$ 90 mil a serem pagos, mesmo após um repasse parcial recente.

Além disso, Adriana chama atenção para a falta de chamada pública e de contratos para fornecimento da merenda escolar, o que impede legalmente que os produtores entreguem os alimentos, mesmo havendo verba federal específica para a compra da Agricultura Familiar. “É dinheiro carimbado, se não usar, tem que devolver. E quem perde é o produtor e a população”, alertou.

Prefeito não recebeu a Associação

Outro ponto de forte crítica é a dificuldade de diálogo com o Executivo municipal. Adriana relata que esteve na Prefeitura em busca de conversa, mas não foi recebida pelo prefeito. “A gente nunca conversou com ele. Eu queria que ele ouvisse da gente o que está acontecendo. O pequeno produtor precisa ser ouvido”, afirmou.

A presidente reforça que a associação não busca confronto, mas sim respeito, transparência e diálogo. “A gente quer resolver, quer continuar trabalhando, mas sem conversa fica impossível”, afirmou.

Apelo por valorização

Ao final da entrevista, Adriana Restani fez um apelo para que o poder público olhe com mais atenção para a Agricultura Familiar, que gera renda, alimento de qualidade e movimenta a economia local. “A feira não é só venda, é trabalho, dignidade e sobrevivência para muitas famílias”, concluiu.