ENTREVISTA EXCLUSIVA COM A PROFESSORA-DOUTORA TAQUARITINGUENSE LUCILÉIA COLOMBO

Especialista em políticas públicas e desenvolvimento regional, traz importantes reflexões sobre os desafios de Taquaritinga.

Luciléia Aparecida Colombo, a Léia, é formada em Ciências Sociais pela UNESP, mestre e doutora em Ciência Política pela UFSCar, doutora pela Universidade de Florença (Itália), com pós-doutorado pela UNESP, UFSCar e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Foi professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), do Instituto Municipal Matonense de Ensino Superior (IMMES) e do Instituto Municipal de Ensino Superior de Bebedouro (IMESB); liderou o grupo de Pesquisa Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional da UNESP, é professora universitária da UNESP-Araraquara, na Área de Ciência Política e pesquisadora visitante da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA); colaborou com pesquisas e projetos do Ministério da Integração Nacional.

Opinião: Quais são os principais entraves ao desenvolvimento de nossa cidade?

Luciléia: Taquaritinga é uma cidade estratégica, localizada no centro do estado mais rico do Brasil, São Paulo. Tem traços de uma colonização europeia, especialmente a italiana. Mas como toda a dicotomia envolvendo “capital x interior” no Brasil, a cidade possui peculiaridades, tais como uma população que trabalha muito, mas em contrapartida, um quadro político com pouca renovação. A maioria dos representantes políticos são de alianças político-partidárias semelhantes, formadas ao longo dos anos. Isso significa que a ideia de desenvolvimento está alinhada basicamente com crescimento econômico, partindo de uma elite política e econômica privilegiada. Uma boa cidade é a que agrega, que promove integração, a ideia de desenvolvimento de uma cidade perpassa a emancipação individual e, portanto, com o desenvolvimento de políticas sociais. Além disso, é preciso maximizar o que temos de melhor, ampliar os espaços e incentivos para a agricultura familiar, com a produção sustentável e ancorada na proteção social de nossos produtores.

Opinião: Há como superar esses desafios?

Luciléia: Superar estes desafios implica em formar novos líderes políticos, capazes de promover uma renovação política a médio e longo prazo, as novas gerações precisam se interessar por política e praticá-la, seja através da participação em ONGs, seja via fiscalização do poder público. Além disso, é preciso fomentar na cidade, espaços de formação política, revitalizar a Escola do Legislativo, de Parlamentos Jovens, que são iniciativas que aproximam os alunos das escolas de ensino fundamental e médio do que é a política na prática. Experiências que vêm sendo desenvolvidas com êxito nas cidades vizinhas, como Monte Alto, Matão e Araraquara. Desenvolver o capital social na cidade significa aproximar as pessoas, os bairros, os vários espaços públicos, para, assim, nos reconhecermos como verdadeiramente cidadãos de Taquaritinga.

Opinião: Você foi professora nas escolas públicas de Taquaritinga, Francisco Silveira Coelho, Carmela Morano Previdelli e Aníbal do Prado e Silva. Como analisa a Educação em nossa cidade?

Luciléia: Tenho boas memórias de quando atuei no Estado, como professora substituta. Foi um curto período, pois logo me apaixonei pela área acadêmica e segui com meus estudos e atuação no ensino superior. Os professores e professoras taquaritinguenses, bem como os diretores de escola, são bravos defensores do ensino público de qualidade. E isso se reflete nos bons níveis em que Taquaritinga ocupa nos rankings educacionais. Creio que para melhorar é preciso investir na infraestrutura, o que depende do repasse financeiro do estado e do município para a educação.

Por: Luís José Bassoli – advogado, professor e jornalista